Solidão, um dos medos da maturidade. Dá para evitar?

Solidão - um dos medos da maturidade

“O perfil do brasileiro com mais de 50 anos pode ser tão maravilhoso quanto o de um escandinavo, quanto pode ser tão miserável quanto o mais pobre do africano”, alerta o gerontólogo Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil.

Em suas palestras, o Dr. Kalache aponta quatro capitais fundamentais para envelhecer bem: saúde, conhecimento, capital social e o financeiro.

Manter relações harmoniosas com as pessoas. Família, amigos e a sociedade.

O “capital social” é um fundamento importante a ser levado em conta para envelhecer bem e evitar a solidão. “Hoje, vemos famílias fragmentadas, muita violência, muita desagregação, o que é complicado pelo efeito nem sempre benéfico da modernidade”, aponta Kalache. Buscar manter relações saudáveis com as pessoas, dedicar-se à família e aos amigos, conviver bem e manter um equilíbrio emocional. E claro, ficar atento às redes sociais que ajudam, ou também podem isolar as pessoas.

Rossandro Klinjey, escritor, palestrante e psicólogo clínico faz algumas considerações importantes sobre a solidão e o momento atual que vivemos no mundo, com as redes sociais e a economia da solidão. Confira:

  1. A solidão é extremamente assustadora. Em pesquisa realizada na Inglaterra, 42% das mulheres da geração millennial têm mais medo da solidão do que de um diagnóstico de câncer. A pandemia mostrou a falta que faz o contato humano. Há pessoas que precisam de mais contatos sociais e outras de menos. As conexões a gente constrói ao longo da vida.
  2. Suporte social insuficiente. Está cada vez mais raro ter um grupo de pessoas à disposição que garanta um suporte para não se sentir sozinho. Atualmente há poucas interações sociais significativas. As pessoas acham que conhecem muita gente porque falam com muitas pessoas nas redes sociais. Mas aquelas que estão presentes em sua vida, fazendo com ela seja melhor, que desenvolvem intimidade, cuidam, levam no médico, dão atenção e carinho são muito poucas. A pessoa pode estar cercada de gente, mas de relações superficiais. E vai se sentir só.

Estamos vivendo hoje uma realidade de muitos lares de uma pessoa só e taxas imensas de pessoas solitárias no mundo todo. Parece ser uma epidemia; a solidão alcança índices epidêmicos.

  1. Economia da solidão; um conjunto de serviços que oferece produtos para pessoas que vivem só. Seja no supermercado, com porções individuais de alimentos, moradia com apartamentos minúsculos ou todo tipo de suporte eletrônico, como robôs e eletrodomésticos de última geração.

O Século da solidão:

No livro “O século da solidão”, de Noreena Hertz, a escritora nos fala não apenas sobre a dor emocional que chamamos de solidão, mas principalmente sobre a fragmentação da comunidade. Noreena Hertz combina uma década de pesquisa com reportagens que demonstram como a solidão, remodelada pela globalização, pela urbanização, pelas crescentes desigualdades e disparidades de poder, pela revolução tecnológica e mais recentemente pelo coronavírus, prejudica nossa saúde, nossa qualidade de vida e nossa felicidade, ameaçando até mesmo a democracia.

O Náufrago solitário e Wilson, seu amigo inseparável

Em sua palestra sobre “Por que tememos a solidão?”, o Professor Rossandro comenta sobre o filme O Náufrago, onde o personagem principal interpretado por Tom Hanks, sozinho numa ilha, encontra uma bola de vôlei que “batiza” de Wilson, com quem conversa o tempo todo e se sente menos solitário. O desespero chega quando a bola Wilson cai na água e Tom Hanks não consegue resgatá-la.

O ser humano solitário se apega a qualquer objeto ou ser para onde possa transferir o seu amor.

A economia da solidão trouxe com ela a explosão dos pets; onde colocar o nosso amor. Os pets nos fazem sentir o valor real da vida, a alegria de receber um carinho, a disposição para o afeto e a valorização das coisas simples da vida.

Outro exemplo é o da diarista que muitas vezes se torna a amiga e confidente da dona de casa, suprindo a sua necessidade de atenção e amizade.

Mudanças cognitivas importantes no envelhecimento

Quando envelhecemos há mudanças cognitivas importantes no processamento de informações, na atenção e na memória. Muitas vezes causadas pela solidão ou inatividade.  Há também o medo da morte e insegurança que podem trazer insônia, perda de apetite e falta de iniciativa para começar algo novo e até de se cuidar.

Mas, através do autoconhecimento e do acesso à informação, o idoso pode identificar a necessidade de ajuda médica, psicológica e de uma rede de apoio: amigos, familiares e até colegas em uma nova atividade, que são essenciais para a qualidade de vida e para ter um envelhecimento saudável.

Dicas espertas

Algumas dicas de Giana Ferreira, escritora, criadora e administradora do Vivazidade que reproduzimos aqui para enxotar a solidão e desenvolver relações mais harmoniosas:

  1. Evite ficar “no passado” – a repetição do “no meu tempo isso”, “no meu tempo aquilo” não só entristece quem fala, como cansa quem ouve. O “seu tempo é agora”. Reconheça que toda sua vida foi de mudanças, de desenvolvimento tecnológico e que para cada novidade que surgia havia um período de adaptação.
  2. Pratique atividade física – além de melhorar a disposição e bem-estar, quando praticado em grupo, fortalece as relações sociais.
  3. Ocupe sua mente – participe de cursos de seu interesse, crie grupos para passar suas experiências, estude algo novo, aprenda novas habilidades, sempre é tempo. E agora é o tempo de compartilhar sabedoria.
  4. Seja voluntário – sempre há alguém precisando de auxílio, participe na sua igreja, na associação de bairro, no hospital mais próximo. Se ofereça para ajudar e faça disso uma obrigação para com o mundo. Um pouco da sua ajuda faz muito pela sociedade.
  5. Proponha reuniões familiares ou com amigos – crie uma tradição, ofereça a casa e faça reuniões onde cada pessoa leva um prato. Assim não pesa para ninguém. O grupo decide a frequência.
  6. Viaje – busque informações para viagens que caibam no seu bolso, cidades históricas, balneários, passeios na sua cidade. Interaja com os participantes, descubra novos lugares e olhares do mundo.
  7. Adote um animal de estimação – crie uma rotina com seu bichinho – de peixe a hamsters; de pássaro a cachorro. Cuidar de um animal de estimação é motivador. Procure um animal que caiba dentro de sua casa, perspectivas, orçamento e principalmente, disponibilidade.
  8. Saia de casa TODO DIA, pelo menos uma vez por dia – nem que seja para dar bom dia para o porteiro. Saia, caminhe no quarteirão, vá comprar pão, regar a planta da calçada. O ato de sair de casa faz ver o céu, a rua, outras pessoas. E faz ser visto e reconhecido.
  9. Busque auxílio – quando estiver se sentindo sozinha ou indisposta, tenha sempre por perto o telefone de uma pessoa de confiança e entre em contato.

Há também um serviço ótimo, a Telehelp, uma pulseira com botão de emergência, com central de atendimento para você ou o seu idoso acionar quando necessário. (www.telehelp.com.br)

Saiba mais sobre esse tema acessando os vídeos que trouxemos para você:

Por que tememos a solidão? | Cuidando da Alma #72-Rossandro Klinjey- 34:36

Reportagem Especial Multimídia 4 – Cinco passos para envelhecer bem-Funcef-03:11

Alceu Valença | Solidão – 03:13

O Verdadeiro Significado de O NÁUFRAGO (Detalhes + Explicação + Análise) – 16:19

Dá para evitar a solidão, cultivar amizades e ter uma longevidade prazerosa!

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