A Nova chance que a vida nos dá com os Netos

A Nova chance que a vida nos dá com os Netos

No próximo dia 26 de julho é comemorado o Dia dos Avós e que também é o Dia de São Joaquim e Santa Ana, os avós de Jesus.

A data foi criada em Portugal e o objetivo é homenagear e agradecer toda a consideração e carinho dos avós com os seus netos.

Para conversar com a gente sobre esse tema amoroso, a Fundadora da Estilo 5.0+, Cintia Yamamoto, convidou para um novo bate-papo, Maria Ângela Rossetto, psicóloga clínica.  Vamos relembrar seu currículo:

Psicóloga Clínica há 35 anos, com Mestrado na Escola Paulista de Medicina em Distúrbios da Comunicação. Prof. Titular há 30 anos das cadeiras de Psicopatologia, Psicologia do Desenvolvimento Humano e Método de Rorschach na Unfmu e atualmente na Unifesp. Perita nomeada na Vara da Família do Fórum de Santo Amaro e Avaliadora de Cursos de Psicologia pelo INEP e com vários Trabalhos publicados em Congressos Nacionais e Internacionais.

A importância dos avós do ponto de vista psicológico para a família e para os netos

Maria Ângela explica que os avós ocupam o topo da hierarquia da família. São eles que concentram toda a história, toda a cultura e os costumes da família. Eles é que vão passar essas histórias para as próximas gerações.

É muito importante do ponto de vista psicológico você conhecer sua história porque ela forma a sua identidade, afirma Maria Ângela. “Quem eu sou, de onde eu vim, quem eram os meus ancestrais, então você vai passando a história’.

Existe um projeto, desde 2005, denominado “ Fazendo Histórias” com crianças abandonadas. Elas não têm história. Não têm o primeiro livrinho, a foto da mãe, a foto do pai.

Esse projeto, do qual Maria Ângela fez parte, procurava construir a história. Por exemplo, fazendo um álbum com uma foto de revista que a criança que escolhia. E depois a foto da criança, estimulando o imaginário: com quem que ela conversou, quem era a sua professora. E iam montando essas histórias com os fragmentos disponíveis. E com isso, muitas deixavam de ser agressivas. É um vazio muito grande o que elas sentem.

Mas além de passar a história familiar e esses costumes, os avós são o elo de geração entre as famílias. Hoje as famílias estão muito Intergeracionais com crianças convivendo com bisavós, ainda fortes e saudáveis.

A casa dos avós é a casa de todos os netos, de todos os filhos, é o ponto de encontro e faz com que a criança viva uma família mais ampla.

A casa da vovó é sempre muito divertida. Tem sempre gente. Parece natal. Tem sempre um bolo, um café, um biscoito. É sempre um encontro e não somente nos finais de semana.

Todos os avós que mantém contato com os netos se beneficiam muito. Se sentem mais úteis, mais ativos. Aqueles que buscam na escola, buscam no balé, isso anima a vida dos avós. Eles recordam muito a criação dos próprios filhos. É um momento que os avós têm a oportunidade de fazer diferente do que fariam, ou fizeram, com os filhos.

Com muito mais leveza porque já tem muita experiência nisso.

Os avós são um ponto de apoio que os netos vêm como o amigão, o seu apoio emocional. E promovem a saúde mental dos avós e também dos netos. Mas também promovem a saúde mental dos filhos, afirma Maria Ângela.

Você poder deixar os seus filhos com os avós e ir trabalhar sossegado.

Isso já existe na Europa. E, em alguns lugares, os avós são remunerados para isso.

É uma fase de agradecimento poder conviver com seus pais junto com seus filhos, complementa Maria Ângela.

A nova geração de avós

Essa nova geração de avós, é a dos baby boomers e geração X, que modificaram muita coisa e também estão modificando o papel dos avós, mas Maria Ângela comenta que depende da característica individual de cada um. Algumas pessoas dizem que “eu já criei os meus” ou, “ não quero perder minha liberdade”.

A questão de ser avós, não é uma questão simplesmente cronológica. De repente, a mãe olha para o seu filho ou para sua filha e vê que ele ainda precisa muito de você. E está com um bebê na mão, seu neto. E se pergunta: “será que ela vai saber cuidar?”

Os pais precisam saber qual o seu papel. Mas quando eles se veem diante de uma situação como essa, há uma emoção muito grande e a mudança acontece. Esse novo elo que vai se formar provoca mudanças e alguns autores colocam que a relação entre mãe e filha melhora muito.

Os filhos passam a entender melhor as nossas atitudes como mãe. As filhas se sentem mais seguras, mais amadas. Ficam mais sossegadas em poder sair com o marido e viajar. E isso afeta positivamente também a vida das crianças.

A mudança de comportamento é percebida. Os avós têm mais paciência com os netos que não tiveram com os filhos.

Carregam aquela culpa de não terem sido tão eficientes com os filhos. E com o neto tem a possibilidade de resgate com mais tranquilidade.

“Foi criada pela avó”- não é uma questão de quem, mas de como

Maria Ângela comenta que isso existe até com os pets. O cachorrinho da mamãe e o cachorrinho da vovó. O cachorrinho da vovó costuma ser mais mimado. O Sebrae dá toda uma orientação de como você deve tratar o cachorrinho da vovó. É aquele que anda no carrinho de bebê.  E recebe um cuidado excessivo.

Algumas pessoas falam para a avó: “você está estragando o seu neto”. Mas a literatura aponta que não é quem cria, mas como cria. Colocar o limite na hora certa é importante.

Maria Ângela comenta sobre uma pesquisa realizada com crianças netos de avós de diferentes idades:

  • Os avós de 35 a 40 anos não eram avós. Pegaram a paternidade para o filho poder estudar.
  • Os avós de 75 a 80 anos eram vistos pelas crianças como mais sérios, mais rígidos, religiosos e cozinhavam muito bem. Eram tratados como senhor e senhora.
  • Os avós de 50 a 60 anos são eram pelas crianças como “meu chapa, meu amigão e a avó era uma princesa linda”. Eram cúmplices. Contam coisas para os avós que não contam para os pais. Não falaram nada sobre religião. Não chamam os avós por senhor ou senhora. Mas pelo nome. Na casa dos avós há coisas mais gostosas. Essa geração compra pronto, não vai fazer o bolo. Aí eles ganham até mais tempo para estar com os netos. E quando sabem que o neto vem preparam as coisas gostosas que o neto gosta.

É importante que os avós respeitem o papel dos pais

Os avós têm que respeitar o papel dos pais, comenta Maria Ângela. Os avós precisam ouvir, dá para negociar, mas tem que pôr limites como os pais querem, fazer correções. Não dá para estragar. Ou então vamos criar indivíduos muito despreparados e desrespeitosos.

E isso até na questão dos presentes. Deve ter dia certo para presentear. É saudável a criança aprender a esperar, lidar com a frustração, esperando por aquele acontecimento. Dessa forma estará sendo preparada para outros acontecimentos na vida que não são imediatos. A criança precisa aprender a esperar e não ter aquele imediatismo.

“Pai eu quero o homem- aranha”. O pai vai lá e compra. “Não; no seu aniversário eu te dou”, deve responder o pai ou o avô.  E até contar os dias que faltam com ele. Isso molda personalidades mais fortes.

Os netos têm a ver com a nova chance que a vida nos dá

Muitas vezes os avós podem achar que não fizeram o suficiente pelos filhos e querem fazer pelos netos.

Maria Ângela concorda com esta frase porque, muitas vezes, na época em que a mulher tem o filho, está com multifunções: mãe, dona de casa, empregada, tem que trabalhar. E a responsabilidade de criar uma criança é uma coisa muito forte. E ela se cobra demais. O filho tem que ter saúde se não tiver a culpa é da mãe, tem que ir bem na escola, se não for a culpa é da mãe e ainda tem que ter amigos, e se não tiver, a mãe sente que errou.

Há uma cobrança e uma falta de experiência muito grande. Maria Ângela comenta que “a gente diz até que o primeiro filho é o que sobrevive; a gente aprende em cima deles. Então você não curte tudo. Sempre se analisando se é isso ou aquilo. E se algo sair do planejado a gente se atrapalha toda”.

Maria Ângela comenta que viveu isso. Não tinha a mãe por perto quando a filha nasceu e a sogra morava longe.

Quando a mulher se torna avó, já passou por essa experiência. E finalmente entende que não é responsável pelas situações que aconteceram com o filho. A doença vem, a virose vem e no final tudo dá certo. Os pais se atropelam porque têm que viver uma luta e fazer dar certo. E, muitas vezes, nem deixam o filho ser criança. E com o neto é diferente porque já viveram essa experiência.

Os avós de hoje são mais dinâmicos. Quando têm netos são até mais saudáveis. Procuram médicos, querem participar mais dessa convivência.

Hoje estamos muito longe do avô que existia antes. Hoje o avô ou avó é o que anda de moto, que trabalha, que se veste bem para uma festa, que tem amigos. E são muito diferentes dos avós de antigamente.

Antes eles se aposentavam com 50 anos em média. Hoje com 65 anos, em média. Mas muitos continuam trabalhando. 65% dos avós ajudam financeiramente os filhos. E há famílias que vivem da aposentadoria dos pais. Uma realidade diferente.

Antes os filhos ajudavam os pais. Era o mais comum. Hoje não. Hoje muitos avós estão ajudando os filhos e os netos. Estão mais empoderados. A mulher começou a trabalhar e a trazer mais dinheiro para casa fazendo uma renda maior.

O difícil é pensar num avô que ganha um salário mínimo e precisa ajudar os filhos.

Existe diferença na convivência dos netos com os avós paternos e maternos?

Os netos, no geral, continuam indo mais na casa dos avós maternos do que nos avós paternos afirma Maria Ângela. Um dos principais motivos é o fato das mães encontrarem mais liberdade para brigar com a própria mãe sobre alguma coisa que não gostou e vice e versa. O vínculo é tão forte que não vai arrebentar. Coisas que não falariam para a sogra. Elas ficam irritadas com certas coisas.

Maria Ângela comenta que sempre falou para as suas filhas que os mesmos direitos que ela tinha como avó, os avós paternos também tinham. A relação dela com a sogra sempre foi de respeito. Ás vezes não concordava com algumas coisas, mas mantinha o respeito.

Maria Ângela enxergava nos seus pacientes a tristeza dos avós paternos que só viam os netos em datas comemorativas. 18% dos pacientes só viam os netos nas datas especiais. É muito pouco!

Pesquisa mostra que grande parte dos netos só vê os avós paternos nos finais de semana. Melhor do que somente em datas comemorativas.

O que os pais devem exigir é esse respeito, levar com mais frequência, contemporizar o que o filho está reclamando. Mostrar o outro lado. Mas não vejo dar tanto problema nessa geração, comenta Maria Ângela.

Ela acha que os pais gostam quando os avós viajam e levam os netos com eles. Em outras vezes, quando os avós planejam viajar, os pais perguntam se irão levar os netos com eles. Importante fazer um acordo. Os avós podem se posicionar: vão ajudar, se dedicar, mas manter o próprio espaço. Importante o casal sair de vez em quando sozinho. Viajar. Tudo planejado dá para organizar todos os lados. Mas não de uma hora para isso. Os avós não devem abrir mão dos seus planos por causa dos netos.  Quando os netos ficam doente é diferente, abrem mão de tudo.

Ás vezes ficar com os avós é até mais legal do que ficar com os pais.

Maria Ângela comenta que muitas vezes faz o neto dormir cantando Let it be, dos Beatles. Mas se coloca mesma música no carro, ele diz que é música para a hora de dormir.

Importante para os avós refletirem no que irão deixar de legado, de história. Maria Ângela tem pacientes muito chocados com a história da família. De descobrir certas coisas que não foram boas. E de terem vergonha do que aconteceu. Por exemplo, no filme a Lista de Schindler, quando o neto descobre que o avô foi o empresário que empregou e salvou muito judeus. A emoção que ele teve. E outros, que foram nazistas e mataram muita gente. E depois se sentiam na obrigação de pedir desculpas. Temos uma responsabilidade muito grande com a nossa história, com o que vamos deixar.

Tempos modernos, avós não consanguíneos

Nos dias de hoje é muito comum os filhos conviverem com os pais de casais que se separaram e casaram novamente e que, portanto, não são Avós consanguíneos. Maria Ângela afirma que as crianças lidam bem com isso. Dependendo de como foi a relação com a segunda esposa ou segundo marido, para que tenha uma maior disponibilidade dos avós consanguíneos ou afetivos.

É muito importante essa relação. Muitas vezes há uma relação mais forte com aqueles com quem as crianças conviveram mais.

Para a criança é normal. Meu avô João fez isso, o meu avô Manuel fez aquilo. Gosto mais dessa minha avó do que daquela. Melhor não perguntar de que avó a criança gosta mais. Se há harmonia entre os filhos com esse casal que se formou, o amor será dividido entre os diferentes avós. Geralmente predomina a relação com quem as crianças conviveram por mais tempo, independente se houver uma relação consanguínea ou afetiva.

Há casais separados que convivem muito bem entre si. O que facilita para os filhos. E na divisão de com quem as crianças irão passar as datas festivas. Não se deve subestimar a emoção de uma criança. Às vezes a gente fala com o rosto.

Mas há casais que se separaram por problemas emocionais por causa de uma das partes.  Aí a convivência dos filhos com a nova pessoa com quem o pai ou a mãe casou pode gerar um apego maior na nova relação.

Curiosidade citada por Maria Ângela: o dia dos Avós foi criado em Portugal, para homenagear os avós de Jesus Cristo: São Joaquim e Santa Ana. E, segundo estudos, os portugueses são os que mais cuidam dos netos. Mais ainda do que os brasileiros.

Uma coisa é certa! É uma delícia ter a oportunidade de conviver com os Avós!!

Contato da Maria Ângela mac_rossetto@hotmail.com

Assista o bate papo integral da Fundadora da Estilo 5.0+, Cintia Yamamoto, com Marai Ângela Rossetto.

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Time Estilo 5.0+

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