Luciana Holland: A importância da relação com as pessoas.

A importância da relação com as pessoas

Cuidar da relação com as pessoas, independentemente do que você faz é um pilar de sucesso para qualquer pessoa.

É o que pensa Luciana Holland, convidada da fundadora da Estilo 5.0+, Cintia Yamamoto, para nos contar um pouco sobre suas experiências de vida pessoal e profissional.

Vamos conhecê-la!

Curiosa irrequieta, disposta, com foco e fé em si mesma! Luciana é Partner na Mediator Assessoria Empresarial, formada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas.

Luciana tem mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro, grande parte dela no Citibank, com passagens por várias áreas. Sua última posição foi como diretora de Recursos Humanos no Citi Brasil.

Aos 50 anos, Luciana resolveu aprender a arte da escultura em argila e está amando!

Diversidade de conhecimentos entre escolhas e acasos

Luciana fez Administração de Empresas por forte influência do meu pai que ela define como uma pessoa pragmática e achava que era a formação mais adequada porque ela poderia se encaixar em várias coisas.

“Na época eu queria fazer agronomia, estar perto dos bichos, outro assunto nada a ver. Mas caí na GV (Faculdade Getúlio Vargas). Não planejei. Fiz a faculdade sem pensar, não sabia se queria ir para essa ou aquela área. Sempre fui muito aberta. Gosto de tudo, nunca me aprofundei em nada porque gosto de olhar o todo” explica Luciana.

Luciana comenta sobre sua experiência em várias instituições financeiras que começou com o Programa de Trainee no antigo BFB- Banco Francês e Brasileiro, depois o Banco Nacional que foi comprado pelo Unibanco e, em seguida o Citi, onde entende que foi quando de fato mergulhou nessa história de banco e destaca que, na sua opinião, o Citi é uma instituição super respeitada e muito diferenciada.

Luciana se reconhece como irrequieta. Começa a olhar o que está fazendo e sempre quer conhecer mais, conhecer gente diferente, time diferente, assunto diferente, enfim e começa a buscar novos desafios.

Então surgiu a oportunidade de uma vaga para ser Chief of Staff da Diretoria de Corporate Bank do Citi. Ela achou que seria uma boa experiência porque ao invés de ser a gerente de vendas, função que já vinha desempenhando há muitos anos em sua carreira e que fica na frente com os clientes, o Chief of Staff os bastidores, a operação como um todo. Vai olhar os números, metas, treinamento, conexão com RH, Crédito, etc.

Ela se inscreveu, conseguiu a vaga e ficou encantada com as novas atividades.

Em certo momento o marido da Luciana, que é carioca, recebeu um convite para trabalhar no Rio de Janeiro. A parceria do casal é entender as prioridades e, naquele momento Luciana diz que a prioridade era dele. Então eles se mudaram para o Rio de Janeiro.

Claro, ela não poderia ficar sem fazer nada e, apesar de ter a oportunidade de ser transferida pelo banco para o Rio de Janeiro, decidiu abrir um negócio num Shopping. Luciana levou uma marca de lingeries de algodão daqui de São Paulo e mergulhou no projeto. Ela conta que foram 3 anos de muito aprendizado, mas também muito difíceis.

Um exemplo importante que ela dá e é muito comum em executivos que resolvem empreender, foi o choque da pessoa sair de instituição como Citibank super organizada, cheia de manuais, de regras e departamentos que te apoiam e, de repente, você vira uma empreendedora no mercado brasileiro tendo que lidar com shopping center que só se interessa pelo lucro, sindicato, contador, mão de obra que é muito diferente do que estava acostumada a lidar no Citi. Além disso, continua Luciana, o Rio é uma cidade muito diferente, com regras adicionais de líderes das comunidades que impactam, por exemplo, na gestão das pessoas que trabalham com você.

Segundo Luciana foi um aprendizado muito interessante e uma vivência muito diferente. Essa experiência deu a ela uma forma diferente de olhar, de encarar um trabalho no Citi ou no mercado financeiro. Colocar os valores no lugar certo. Perder um pouco daquela característica meio “mimezenta” de quem está no top do top.

Foram três anos da economia muito complicada, o Rio de Janeiro é um tema diferente, o público do Shopping não estava alinhado aos produtos que ela oferecia, todas as suas economias de trabalhar no mercado financeiro até aquele momento estavam sendo drenadas para a loja então ela resolver fechar o negócio.

Depois dessa experiência como empreendedora, Luciana conseguiu uma oportunidade e voltou a trabalhar no Citi. Ela resume sua experiência no Citi e a gente percebe que a sua curiosidade de sempre aprender coisas novas, dedicação e competência geraram oportunidades de passar por praticamente todos os segmentos do banco. Entre eles, Vendas e Chief of Staff no segmento Corporate, Vendas no Private, Operações no Middle Office, Novos Negócios no Consumer.

Ainda no Citi, Luciana estava desenvolvendo a função que ela mais gostou de desempenhar, a de Chief of Staff, dessa vez, respondendo diretamente ao Presidente do Banco. Com a mesma inquietude de sempre, depois de algum tempo nessa função, queria fazer uma nova mudança e com as conversas com o seu gestor, entendeu que com toda a experiência acumulada nos diversos segmentos e áreas, ela poderia desempenhar um bom papel na área de Recursos Humanos.

Luciana tinha 50 anos quando o banco vendeu o segmento de Pessoa Física para o Itaú. Ela teve a oportunidade de ir para o Itaú ou achar uma oportunidade dentro do Citi em outra área.

Ela tomou a decisão de sair do Citi e foi aí quando ela se reencontrou na arte da cerâmica.

Luciana ainda retornou mais uma vez ao Citi como Diretora de Recursos Humanos. Quando recebeu esse convite ela diz que refletiu muito se deveria voltar ou manter essa nova vida completamente diferente, com mais flexibilidade, já estava se dedicando a cerâmica e ajudando o marido em seu negócio. E ela pensava: “será que isso é um chamado dos céus? Será que tinha que voltar para o mercado Corporativo? Ficou com uma dúvida cruel. Sofreu com essa decisão. Mas a insistência foi tanta, que acabou voltando para o Citi.

Voltou uma semana antes do Lockdown por conta da Covid e decidiu sair novamente em julho de 2021 porque o banco mudou a configuração do projeto que lhe foi oferecido. Então achou que não era o que ela queria e que podia escolher. “Acho que estou numa fase da vida que posso escolher.  Não é o que eu quero, não é o que combinamos, então resolvi sair” explica Luciana.

Especialista ou generalista? O importante é o aprendizado

Luciana contemporiza: “A gente sempre se questiona. Sempre se pergunta. Estou fazendo direito a minha carreira, era isso mesmo? Sempre há momento de dúvida, é óbvio. Como mudei muito, nunca me especializei numa função que pudesse me mostrar um caminho mais vertical onde pudesse me especializar”.

Ela então foi conversar com algumas pessoas, mentores, e aí apaziguou essa história e entendeu que se a pessoa souber extrair da sua experiência tanto o errado como o certo, você cresce de qualquer maneira.

O fato de ter essa diversificação, foi uma experiência que trouxe para ela capacidade de gestão, tinha o conhecimento de várias áreas do processo de uma instituição financeira, fez as funções do Chief of Staff para o presidente e de Recursos Humanos.

Luciana diz que trabalhar em Recursos Humanos foi um pouco difícil no início. Ela avalia que por ter uma formação diferente dos profissionais de RH que geralmente vem da área de psicologia e sem essa vivência do mundo prático de vendas, de operações, de produto e de sentar na frente do cliente. Do ponto de vista dela era muito óbvio o que uma pessoa de Vendas e de Operações devia fazer.

Outra dificuldade naquele momento era o questionamento das pessoas: quem é você que não vem de RH e vai dizer o que o RH tem que fazer. Foi um aprendizado. Diferente de todas as mudanças de funções anteriores em que foi convidada a participar e onde as pessoas sabiam do seu trabalho e da sua competência. Dessa vez ela foi buscar, não foi convidada. Um choque de cultura, mas um tremendo aprendizado.

Aonde ela errou? Ela se questiona. “Usei menos as pessoas de mais experiência ao longo da sua carreira como mentoras. Deveria ter aproveitado mais as pessoas de mais experiência para conversar mais sobre os meus momentos. E eventualmente poderia ter trazido algum conhecimento diferente. E talvez não tivesse feito uma ou outra mudança. E foi nessa inquietude, aceitando os convites. Talvez pudesse ter ficado mais tempo em alguma função.

Se pudesse aconselhar alguém, diria para aproveitar a experiência dos outros e tentar planejar e olhar de forma mais clara e planejada onde quer chegar e o norte que quer seguir” destaca Luciana

A arte em argila, enfim, colocando a criatividade para fora!

“É um momento da minha vida que estou realmente entusiasmada. Naquele tempo da faculdade onde tinha um pouco mais de tempo, resolvi fazer algumas aulas de cerâmica”.

Ela fez algumas aulas, há mais de 30 anos atrás, seguiu sua vida e se esqueceu disso. Quando saiu do Citi, teve um grande desafio. “É como um trem em alta velocidade e que de repente para. Em 2017, naquela saída do Citi, vinha de uma vida super agitada do mundo corporativo, uma intensidade constante.” E aí acordou de manhã e se perguntou: “ que que vou fazer agora? ”

Para ela, precisou cair a ficha, ter muita centralização, muita calma, porque ela não era mais uma diretora, ou um sênior VP do mercado financeiro. Agora era somente a Luciana. Se sentia culpada por não ter o que fazer. E a pessoa começa a pirar com esse sentimento de culpa. Não é que tem que trazer o leite para casa, dá para escolher, mas a culpa está ali. Tem gente que consegue planejar isso antes. Mas ela não fez isso. Mesmo na sua carreira quando saía de uma área para outra, nunca planejou.

Naquele momento ela estava ajudando o marido na consultoria. Fazia todo a parte administrativa e operacional para ele, de banco, de tudo o que ele precisava mas como sobrava um pouco de tempo, veio essa ideia de aprender a arte com argila.

Luciana sempre sentiu falta de usar a sua criatividade, de ver o produto do seu trabalho, de tocar, de usar as mãos.

No mercado financeiro tudo é efêmero. Mas o que ela produziu? Queria ver. Tinha vontade de escrever um livro e ainda vai escrever.

Mas então ela pensou: quero usar as minhas mãos e colocar minha criatividade para fora. E optou pela argila. Escolheu uma dessas escolas onde você pode fazer aula de cerâmica. Normalmente, as pessoas se sentam numa mesa, escolhem uma peça e podem fazer xícaras, pratos, aprendem a técnica queimam, e depois pintam a peça. Ela estava lá no meio das vovós, aquelas senhoras que já têm netos, tomam chá e fazem uma pintura na cerâmica. Aí ela fez um pratinho, depois outro pratinho e no quarto pratinho já estava entediada. Aí pensou: não é isso. Mas então estava lá, com a argila na mão e de repente começou a moldar um rosto. O professor notou e comentou: caramba, você fez uma escultura. Você deveria fazer um curso de escultura.

E então ela começou a fazer workshops e achou um professor superbacana com quem faz aulas até hoje. E foi se dedicando à escultura. Durante a prática, ela esquece da vida. Aquilo a preenche de um jeito que ela nem sabe. Tem essa da energia, argila é terra. Aquilo a entretém de um jeito que esquece de tomar água, esquece de comer, esquece que é casada e tem que servir o almoço e o jantar. Passa o dia entretida. É uma coisa impressionante. É muita curtição.

“A argila meio que ela manda em você”, declara Luciana. Várias vezes eu sentei com uma ideia e saiu uma coisa totalmente diferente. Me apaixonei, me encontrei na escultura. É um mundo”.

Nova Fase: um propósito, vários caminhos possíveis

“A primeira coisa que aprendi que nunca posso falar desta água não beberei” comenta Luciana. Estou resolvida com o mercado financeiro, mas nunca se sabe do dia de amanhã. Tenho 55 anos e quem sabe mais 40 anos de vida pela frente. Muita coisa pode acontecer. Então eu digo: “dessa água eu posso beber novamente”.

Agora está com esse dilema: se de fato quer virar uma artista ou se quer continuar fazendo isso como um hobby. Existem muitas implicações e análises que está fazendo.

Ela tem também tem outros interesses. É um momento rico. Ela já escreveu alguns livrinhos de criança por causa dos seus netos, quando saiu do banco em 2017. Mas o seu chicotinho é muito afiado. Quer escrever uma coisa bacana. “Um bom escritor é aquele que lê pra caramba, que sabe as diversas vertentes da escrita.”

Luciana também tem se interessado demais por filosofia. Não sabe se quer fazer um curso de filosofia.

“No final o que me vem de vontade, é ensinar”, ela comenta. Não sei se vou ensinar para a filosofia, se vou ensinar crianças por conta das historinhas, ou ensinar argila. Ou terapias. Queria ir para um mundo diferente do mercado financeiro. Sua vontade é trabalhar com algo que cuide mais da sensibilidade, dos valores da vida, do que faz a diferença como ser humano.

“Seja a escultura, seja o livro, seja a filosofia, alguma coisa que me leve a dividir tudo o que ganhei da vida. Quero ir por aí”, finaliza Luciana.

Cintia, fundadora da Estilo 5.0+ comenta que entende que Luciana já tem o propósito definido e está procurando a forma como vai entregar. Há várias alternativas. É uma questão de tempo e evolução para você decidir o caminho.

Verdade, confirma Luciana. “Me sinto abençoada por isso. Por ter essa oportunidade de pensar que caminho seguir. O propósito está lá na frente, está desenhado. Que tamanho de estrada tenho que chegar para preencher esse desejo é o que vem pela frente”.

Esse processo começou lá em 2017. Não é um processo rápido. É um processo interessante. É uma busca. Do que quer conhecer. Quem é a Luciana? O que a Luciana tem que pode dar para o mundo? Ela se pergunta.

A visão sobre o etarismo ou ageismo

Luciana diz que o etarismo ou ageismo é um tema interessante. “Não gosto de nada que é muito definido. A vida não é “preto ou branco”. A vida tem 50 tons de cinza. E esse meu conceito, minha forma de encarar a vida, também uso quando estou trabalhando”

Ela entende que existe o preconceito. A primeira vez que ela ouviu sobre isso foi sobre uma artista, Milhazes, que é uma tremenda artista e que não tem espaço nas galerias porque já tem mais de 50 anos. Ela diz que não viu isso na sua trajetória do mercado financeiro.

Na sua opinião, acha que depende muito da capacidade da pessoa se atualizar. Se a pessoa é mais velha e não acompanha a evolução da empresa onde trabalha, ou do que pratica no mercado, é natural que perca espaço.

Luciana vê, no seu círculo de relacionamento, muitas mulheres com mais de 60 anos no conselho de empresas porque são pessoas com competência que permanecem ativas e têm valor. Porque a pessoa mais velha tem uma vivência que não pode ser desconsiderada. Não dá para você ter uma empresa só de jovens. A diversidade trabalha aí também.

Luciana reconhece que o etarismo é um tema que tem mais relevância agora. Não viu ninguém falando como um tema de diversidade. Mas entende que precisa ser inserido como o de raça, de condições especiais e de gênero.

Mas ela não gosta dos extremos, entende que os diferentes se complementam: as mulheres, os homens, as raças. E aí não adianta ter cotas se a pessoa não se atualiza. As empresas precisam dar lucro e a pessoa precisa ter produtividade.

“O que eu vejo no nosso mundo corporativo: todas as mulheres que se atualizam, conhecem pessoas, têm networking, usam a própria bagagem, todas elas têm espaço”.

Luciana comenta que, na sua opinião, o etarismo certamente vai ser cada vez mais tema de discussão nas empresas. Ela lembra dos comitês e discussões de diversidade nas empresas com a presença de mulheres. “É uma evolução. Eles vêm à medida em que a pessoas vão sentindo a necessidade. Os problemas vão aparecendo e o assunto passa a ser falado. Passou a estar na boca do povo. Há 5 anos atrás não havia isso. Esse (o etarismo)  vai ser mais um que vai ser cuidado. É um assunto que merece atenção. Vamos viver até 90, 100 anos!” , declara Luciana.

Mensagem da Luciana Holland para as mulheres 50+

“Nunca perca a fé em si mesma. A gente sempre se inventa e reinventa. É só ter disposição e foco. Uma coisa que aprendi na minha vida toda de carreira: a coisa mais importante é a relação com as pessoas. Não importa que tipo de trabalho você está fazendo. Mas como você cuida da sua relação com as pessoas, como você faz o bem com quem está junto, como você coopera, como você usa a empatia, como você traz as pessoas para perto. Isso foi a variável que mais me ajudou ao longo desse tempo todo.

Você não faz nada sozinho. Você faz com os outros. Isso foi a coisa mais bacana de toda essa experiência

Transparência e cuidar das relações antes dos processos, antes dos conhecimentos, para mim é a coisa fundamental.

E fé, fé e foco porque a gente sempre descobre uma coisa nova, te abre uma porta, um caminho, uma janela e essa coisa de conversar com os outros é muito legal. De procurar os mentores. A gente elabora, se conhece mais e aproveita a experiência do outro. Isso é o que diria que são legais, que aprendi na minha vida e passaria para qualquer pessoa querida.”

Contato da Luciana:

linkedin.com/in/luciana-holland-1801852

Instagram: @holland.luciana

Assista o bate papo completo com Luciana Holland na íntegra.

Venha participar da jornada da revolução da Longevidade com a gente!

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Time Estilo 5.0+

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