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“A magreza extrema virou o novo Graal da longevidade?” é a pergunta da matéria da Revista Vogue sobre a volta perigosa da magreza em mulheres acima de 50 anos.
“ Exibir costelas aparentes, clavículas salientes e braços finíssimos é o novo símbolo de status de mulheres 50, 60, 70+”? Referência a ícones da beleza, como Demi Moore, que recentemente apareceu nas passarelas de Hollywood, “só pele e osso”, como diriam nossas avós.
“A valorização da magreza extrema para mulheres maduras parece ser um retorno impulsionado por padrões cíclicos da moda e pelo uso indiscriminado de medicamentos e dietas para emagrecimento. Um alerta vermelho para os especialistas em saúde, especialmente ligados ao envelhecimento.
A magreza extrema se torna altamente perigosa e silenciosamente devastador para mulheres com 50 anos ou mais.
Nesta fase da vida, o corpo feminino passa por transformações biológicas profundas. Ignorar essas mudanças em nome de um ideal estético obsoleto pode custar caro à longevidade e à autonomia.
A matéria da Revista Vogue, traz à tona essa nova realidade:
“A estética ultramagra voltou ao centro da cultura visual contemporânea, mas agora sob uma nova roupagem”, diz a endocrinologista Tassiane Alvarenga, certificada em menopausa pela Menopause Society. “Hoje, essa transformação corporal acontece em paralelo ao avanço das terapias metabólicas, ao crescimento da medicina da longevidade e à intensa medicalização do corpo feminino.”
Outra diferença é que essa estética magérrima aparece em mulheres que atravessaram os 50 anos, muitas delas já na menopausa, uma fase em que o organismo feminino passa justamente a exigir mais reserva muscular, óssea e metabólica — e não menos.
“Não por acaso, médicos vêm observando com atenção corpos extremamente magros em mulheres acima dos 50 anos. “Omoplatas proeminentes, clavículas excessivamente marcadas e perda importante de volume muscular podem ser interpretadas como sinais de fragilidade metabólica e perda de reserva fisiológica”, explica Tassiane. O oposto de saúde”.
E é aqui que mora um paradoxo perigoso, como explica a dra. Tassiane: “Ao mesmo tempo em que a sociedade atual estimula o discurso do bem-estar, continua premiando sinais de restrição corporal extrema.” O problema é que o corpo da mulher madura não responde à magreza da mesma forma que aos 20 anos.
A partir da menopausa, a queda do estrogênio altera profundamente a composição corporal: há redução progressiva de massa muscular, perda óssea, redistribuição de gordura e mudanças metabólicas importantes. Emagrecer rápido demais, ou permanecer assim sem cuidados, nessa etapa, pode se tornar um fator de fragilidade fisiológica, comprometendo a longevidade”.
“Mulheres acima dos 50 anos vivem hoje uma pressão inédita para envelhecer sem aparentar envelhecimento”, reforça a Dra Tassiane. E, à essa pressão, juntou-se o novo desejo estético da maturidade: corpo magro, muito magro”.
“Envelhecimento saudável não significa apenas pesar menos”, alerta o ginecologista Nélio Veiga Junior, pós-doutorando em menopausa com foco em saúde hormonal e qualidade de vida da mulher no climatério. “Tem a ver com preservar músculos, ossos, força, equilíbrio, cognição, sono, autonomia e saúde cardiovascular.” Segundo ele, muitas vezes a magreza excessiva esconde justamente o oposto do que se imagina como vitalidade: sarcopenia, desnutrição proteica, baixa densidade óssea e perda de reserva funcional.
Modelos Plus Size diminuem a presença nas passarelas
Matéria publicada na Revista Vida Simples, apresenta uma pesquisa da Revista Vogue Business, que produz relatórios sobre a diversidade de tamanhos nas principais semanas de moda em Paris, mostrou que “o pequeno avanço da presença de modelos plus size nas passarelas já deu passos para trás. Em 2023, elas correspondiam a 0,6% dos looks. Neste ano (2026), o número caiu pela metade, chegando a 0,3%”.
“No mesmo relatório, eles destacam que, entre os motivos, estão o avanço do conservadorismo, que impõe padrões mais rígidos de “feminilidade” e aparência, a busca obsessiva pelo autoaperfeiçoamento, em que o corpo deve ser constantemente corrigido e melhorado, e a explosão nas vendas das canetas emagrecedoras.
Os especialistas apontam os principais “Riscos Ocultos da Magreza Extrema após os 50 Anos:
- Aceleração da perda de massa óssea (Osteoporose): Após a menopausa, a queda abrupta do estrogênio já enfraquece naturalmente os ossos. A restrição calórica severa e a falta de nutrientes essenciais aceleram a osteopenia e a osteoporose, aumentando drasticamente o risco de fraturas graves por quedas simples.
- Perda de massa magra e Sarcopenia: O envelhecimento reduz a capacidade do corpo de reter e construir músculos. A magreza extrema nessa faixa etária consome a massa magra (músculos), o que compromete a força física, o equilíbrio, o metabolismo e a sustentação das articulações.
- Flacidez severa e envelhecimento cutâneo acelerado: O tecido adiposo subcutâneo e o colágeno diminuem naturalmente com a idade. Emagrecer de forma drástica esvazia a pele, acentuando vincos, rugas e a flacidez facial e corporal de maneira irreversível apenas com cosméticos.
- Desequilíbrio hormonal e metabólico: Dietas restritivas e o baixo percentual de gordura corporal podem desregular ainda mais o eixo hormonal, gerando fadiga crônica, queda de cabelo acentuada, unhas quebradiças e alterações de humor.
- Comprometimento da imunidade e energia: O corpo maduro precisa de densidade nutricional (proteínas de alto valor biológico, vitaminas do complexo B, cálcio, zinco e gorduras boas) para manter o sistema imunológico vigilante e as funções vitais ativas. A magreza extrema rouba a vitalidade necessária para aproveitar essa fase com disposição.
“Quando a magreza extrema volta a ser apresentada como um ideal de beleza, existe o risco de a estética passar a ocupar um espaço maior do que a saúde nas decisões relacionadas ao corpo”, explica a nutricionista Yasmim Duro em entrevista para a Vida Simples.
Muito além do espelho
Danielle Vieira, psicóloga e psicanalista, aprofunda a questão ao explicar em artigo para a Revista Vida Simples que “quando a magreza começa a ser associada a sucesso, disciplina, desejo, aceitação ou pertencimento, ela deixa de ser só uma característica física e vira quase uma prova de valor pessoal”.
“Não enxergamos nosso corpo de maneira neutra, afirma a especialista. Esse olhar é atravessado por referências externas, como comentários, imagens e expectativas sociais. Assim, a autoavaliação não parte apenas do que aparece no espelho, mas também daquilo que se acredita que os outros esperam daquele corpo”.
Cuidar da saúde é importante. Mas sem a neura de que há sempre algo a melhorar, a corrigir. Caso contrário, um padrão finalmente alcançado e outro já começa a surgir com as suas cobranças e consequências nem sempre em favor da saúde. E aí pode trazer sofrimento, busca de medicamentos e outros recursos sem o adequado acompanhamento médico.
Seja gentil com você e com o seu corpo
Uma forma de evitar esses apelos que muitas vezes surgem nas mídias sociais é “começar a prestar atenção não apenas no corpo, mas também no tipo de referência que consumimos todos os dias e nos sentimentos que elas despertam”.
“Diversificar quem acompanhamos, reduzir a exposição a conteúdos que despertam comparação e questionar de onde vem a vontade de mudar determinada parte do corpo já ajuda a criar algum espaço entre desejo pessoal e pressão externa. Também vale lembrar que cuidar do corpo não precisa significar estar em guerra com ele e que é possível adoecer tentando parecer saudável” recomenda Danielle Vieira, psicóloga e psicanalista.
A Maturidade como Liberdade
A busca por saúde na maturidade deve ser sinônimo de força, autonomia e nutrição, e não de privação. Cuidar de si aos 50+ é sinônimo de preservar músculos para caminhar com firmeza, fortalecer os ossos para abraçar o mundo e nutrir a mente com a certeza de que a beleza real reside na vitalidade.
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Um abraço!
Estilo 5.0+
Fontes:
https://vidasimples.co/saude-do-corpo/a-armadilha-do-retorno-a-magreza-extrema/
Vídeos:
Gloria Kalil- Alô, Chics! As passarelas voltaram a exibir pessoas magérrimas – 01:58
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silviaruiz_ageless- o que me chama atenção não é a mudança no corpo dela ..01:32
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patipontalti- Demi Moore no Festival de Cannes exibiu uma silhueta ultraseca.
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gabriela.aug- A magreza extrema é só estética… ou é uma forma de controle? 01:17
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