Dependência química entre idosos: epidemia silenciosa. Vamos saber mais?

Dependência química cresce em idosos

A dependência química é um problema cada vez mais prevalente em idades avançadas, embora ainda tenhamos a sensação de ser um problema dos jovens.

Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, com o tema: Epidemia silenciosa: dependência química entre idosos cresce e preocupa especialistas, traz o relato de Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) que alertam para o uso abusivo de bebidas alcoólicas, medicamentos e drogas ilícitas, que já representam uma epidemia silenciosa entre os idosos, com impactos diretos na saúde e na qualidade de vida dessa população.

A matéria menciona também o artigo publicado na seção “Cartas ao Editor” do World Journal of Psychiatry, onde os cientistas apontam ainda que os idosos não têm plena consciência dos riscos da dependência química devido à baixa alfabetização sobre o tema. “Essa falta de conhecimento os torna mais vulneráveis à desinformação e às consequências do uso abusivo de substâncias”, diz o psicólogo Kae Leopoldo, professor do Departamento de Psicologia Experimental da USP, que assina o texto.

E, segundo o geriatra Marco Túlio Cintra, diretor científico da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – seção Minas Gerais (SBGG-MG), que também participa da matéria do jornal, “ainda existem poucos estudos capazes de dimensionar a real gravidade do problema no Brasil, o que contribui para a subnotificação”. “Nos Estados Unidos, onde há mais pesquisas sobre dependência química na terceira idade, estima-se que cerca de 13% dos idosos utilizaram drogas pelo menos uma vez nos últimos 12 meses”, conta.

O envelhecimento traz consigo muita sabedoria, conquistas e autoconhecimento. No entanto, a maturidade também nos desafia a encarar realidades complexas, como a dependência química — um tema silencioso, invisível para grande parte da sociedade, mas que exige de nós um olhar atento, afetuoso e livre de julgamentos. Importante a conscientização e buscar ajuda quando necessário.

Principais causas

A enfermeira Erika Gisseth Leon Ramirez, professora da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que o consumo de substâncias químicas na maturidade pode funcionar como uma válvula de escape diante de dilemas emocionais. “Muitas vezes, o idoso se vê diante de uma nova fase da vida que exige adaptações, seja na atividade laboral, na vida social ou nas relações familiares. Esses processos podem gerar sofrimento e, consequentemente, aumentar a vulnerabilidade ao uso e abuso de substâncias psicoativas.”

As Armadilhas Invisíveis: Onde Mora o Risco?

Na maturidade, a dependência química raramente começa nas ruas; geralmente ela costuma começar dentro de casa ou na farmácia.

  • O Uso Indiscriminado de Medicamentos: O corpo muda, e com ele podem surgir dores crônicas, insônia, ansiedade ou os sintomas intensificados da pós-menopausa. Para aliviar esses desconfortos, é comum o recurso a ansiolíticos (os famosos “tarjas preta”), calmantes e analgésicos potentes. O problema é que o uso prolongado e sem acompanhamento rigoroso pode criar uma dependência física e psicológica antes mesmo que a pessoa perceba.
  • O Álcool como Refúgio Emocional: A solidão provocada pela síndrome do ninho vazio (quando os filhos saem de casa), o luto pela perda de entes queridos, a aposentadoria ou a sensação de perda de papel social podem gerar um vazio profundo. O consumo de álcool — uma taça de vinho que vira duas, depois uma garrafa — passa a ser usado como um anestésico para a dor emocional.
  • A Vulnerabilidade Biológica: O metabolismo da Mulher Madura é diferente. Com o passar dos anos, o corpo retém menos água e o fígado processa as substâncias de forma mais lenta. Isso significa que a mesma quantidade de álcool ou remédio que você consumia anos atrás hoje tem um impacto muito maior e mais tóxico no seu organismo.
  • Cannabis: tendência crescente do uso de cannabis, maconha, entre pessoas com mais de 60 anos em diversas regiões do mundo. “Embora muitas vezes utilizada para aliviar dor ou insônia, a substância pode agravar problemas de saúde, sobretudo quando associada a outros medicamentos”, alerta o Dr. Kae Leopoldo.

Resgatamos um artigo no Jornal da USP, sobre os impactos da cannabis na saúde do idoso: 

O artigo “Impactos da cannabis medicinal e não medicinal na saúde de idosos”, de autoria de pesquisadores de universidades e institutos de pesquisa do Canadá, e publicado no Jornal da USP, fez uma revisão de 134 estudos a partir de mais de 31 mil citações, com foco nos efeitos da cannabis medicinal e recreativa em adultos mais velhos.

“O estudo indica que a legalização da substância em alguns países impulsionou seu consumo entre idosos e destaca que mudanças físicas e cognitivas relacionadas à idade podem alterar seus efeitos nesse grupo em comparação aos mais jovens”.

Os resultados mostram que os efeitos terapêuticos da cannabis medicinal são inconsistentes, com alguns estudos sugerindo benefícios em casos específicos — como câncer em estágio terminal ou demência —, mas a maioria apontando mais riscos do que vantagens.

O Silêncio que adoece: vergonha de se cuidar?

A Mulher Madura carrega a cobrança social de ser o pilar da família, a pessoa sensata, a cuidadora e responsável. Admitir que se está perdendo o controle sobre o uso de uma substância gera uma culpa avassaladora e vergonha.

Muitas vezes, a própria família não enxerga os sinais. A sonolência excessiva, os esquecimentos, a falta de equilíbrio ou o isolamento social da mulher são frequentemente confundidos com “sinais naturais do envelhecimento” ou início de demência, quando, na verdade, podem ser efeitos colaterais do abuso de substâncias.

Cuidar de Si é um Ato de Coragem

Se você se identificou com essa situação ou percebeu esse comportamento em uma amiga ou parente, saiba que não há espaço para a vergonha, apenas para o cuidado. A dependência química é uma condição de saúde como qualquer outra, e não uma falha de caráter.

Aqui estão alguns passos fundamentais para manter o equilíbrio:

  • Reveja a sua farmácia particular: Nunca se automedique e evite aumentar a dose de um remédio por conta própria, mesmo que a dor ou a insônia pareçam insuportáveis.
  • Dialogue com seus médicos: Questione o tempo de uso de medicamentos de tarja preta. Pergunte sobre alternativas fitoterápicas, terapias ou mudanças no estilo de vida.
  • Monitore a relação com o álcool: Perceba se o ato de beber se tornou uma necessidade diária para “dar conta” das emoções ou para conseguir dormir.
  • Fortaleça sua rede de apoio: Busque atividades que tragam novos significados à rotina — exercícios físicos, projetos voluntários, cursos, grupos de convivência. Manter a mente e o corpo ativos diminui o espaço que o isolamento tenta ocupar.

Viver a maturidade com plenitude exige olhar para as nossas vulnerabilidades com acolhimento. Proteger-se da dependência química é defender o seu bem mais precioso: a sua lucidez, a sua saúde e a sua liberdade de escolha.

Pedir ajuda quando as coisas pesam demais não é sinal de fraqueza, mas sim o maior gesto de amor-próprio e soberania que uma mulher pode ter sobre a sua própria história. Se precisar, estenda a mão. Há sempre tempo para recomeçar e viver com qualidade.

Uma das alternativas dos especialistas, é a linha de terapia TCC -Terapia Comportamental Cognitiva, mas o seu médico pode orientá-la na sua necessidade específica.

Cuide-se bem e tenha um envelhecimento feliz, tranquilo e saudável.

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Fontes

https://www.estadao.com.br/pulsa/medicina-e-estudos/epidemia-silenciosa-dependencia-quimica-entre-idosos-cresce-e-preocupa-especialistas/?srsltid=AfmBOorMeIxOeWn72zYeHCdQfiNPLmx1BMKAkpygP3oAVG919GWGxHkd

https://jornal.usp.br/ciencias/pesquisadores-alertam-para-epidemia-silenciosa-de-dependencia-quimica-em-idosos/

https://grea.org.br/dependencia-quimica-cresce-30-entre-idosos-no-brasil-em-2026/

https://www.estadao.com.br/tv/saude/dependencia-quimica-entre-idosos-e-problema-cada-vez-mais-preocupante-no-brasil/

Vídeos

Alcoolismo entre idosos parte 1 | Ativa Idade- Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo- 03:36

 

Alcoolismo na Terceira Idade: Um Alerta de Saúde Pública- Daniel Martins de Barros- 08:36

 

Não existe forma segura de ingerir álcool- Drauzio Varella- 02:27

 

 

Cintia Yamamoto Ruggiero

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