Adriana Zselinszky. Você já pensou em ser modelo 50+?

Inspiração de vida com Adriana Zselinszky

Quando somos jovens muitas vezes, após um elogio ou um filme inspirador, sonhamos em ter uma carreira de modelo como aquela linda atriz ou mulher glamorosa de um comercial de moda ou de cosméticos.

E mesmo, as 50+ ainda podem ter essa inspiração.

Mas é necessária querer muito, amar a profissão para realizar esse sonho.

Para saber mais sobre a profissão de modelo, a fundadora da Estilo 5.0+, Cintia Ruggiero, convidou a modelo Adriana Z Selinszky para compartilhar conosco sua trajetória.

A Adriana é modelo desde os 15 anos de idade. Começou em Porto Alegre, sua cidade natal e com 18 anos veio para São Paulo.

Já trabalhou no exterior em países como o Japão, Áustria, Suíça, França e Alemanha, onde morou por 7 anos.

Adriana também é Empresária e desenvolve catálogos de Moda impressos e digitais e cuida de tudo, desde o relacionamento com os clientes, a produção dos figurinos, a escolha das modelos, o design, layout e diagramação.

Mãe, esposa, inquieta, adora cuidar da casa, cozinhar, e aprender coisas novas.

Vamos saber mais sobre as alegrias e agruras da carreira de modelo.

A dificuldade do início da carreira de modelo

Adriana começou a sua carreira aos 18 quando veio para São Paulo.  Ela conta que nos anos 80, a carreira de modelo não era tão bem vista como é hoje. Os pais geralmente não apoiavam, como foi o caso dela, mas contou  sempre com o apoio do marido que veio com ela para São Paulo.

Um início difícil. Adriana precisou trancar a faculdade e, logo já estava viajando para o Japão, em seguida para a Alemanha, quando teve o primeiro filho. Acompanhar o trabalho com filho pequeno, ser mãe e modelo ao mesmo tempo num país onde ela não conhecia ninguém. Uma imigrante que tinha que concorrer com as meninas locais, ir a várias seleções para ser escolhida e ainda ter um bebê para cuidar, comenta ela.

Adriana escondia coisas que era difícil fazer escondida, como amamentar seu filho. Para os alemães era complicado entender. Uma modelo que tinha que estar lá toda bonita, toda perfeita, e, no caso dela, tinha um bebê para amamentar e um peito que ia crescendo.

E tantas coisas que fez para manter a carreira ativa e a família unida.  Tinha o filho crescendo longe de tudo, mas perto dela.

A língua foi outro desafio. Na Alemanha e no Japão, por exemplo, muitas vezes tinha que adivinhar o que eles queriam falar. Teve que ultrapassar o medo e a ansiedade de saber se teria ou não trabalho.  Eles não falavam nada, olhavam o seu book e devolviam, sem nenhuma palavra. Mesmo depois de ter atravessado a cidade, demorado horas para chegar no local da entrevista, cansada e perdida, você só saberia depois de dias se estava ou não aprovada. Tudo muito incerto. Foi preciso muita batalha para colher os frutos bem depois, quando a agência começar a confiar no seu trabalho.

Profissão modelo: um trabalho desafiador

O trabalho de modelo não é uma coisa fácil como muitos pensam. É muito desafiador, nos conta Adriana. A pessoa pode estar doente, com problema emocional, mas no dia tem que estar bem. Passando uma expressão de felicidade.

A modelo é um pouco atriz também. Uma hora interpreta uma mãe, outra hora interpreta uma mulher sexy, ou super chique vestindo roupas de marcas sofisticadas. E quando o trabalho acaba, muitas vezes a modelo coloca um chinelo de dedo, uma calça jeans e vai para casa de ônibus.

A pessoa precisa entender esses contrastes para não se frustrar. O psicológico da modelo tem que ser bom. Muitas vezes você não é bem aceita num país diferente, pode haver preferência pelas modelos locais ou você pode ter um perfil que a agência não estava esperando ou o cliente queria. A reação é muito visível e pode gerar ansiedade e angústia, mas você vai aprendendo a saber lidar, apesar de não ser  fácil. Por isso precisa se ajustar e entender que é trabalho para não se frustrar.

No caso da Adriana, ter a família junto ajudava muito. Era algo paralelo ao trabalho que dava alegria e recarregava as energias. Podia aproveitar o tempo livre para passear e se divertir, mas sempre estava disponível para o trabalho. Sábado, domingo, feriado, porque cada trabalho bem executado e avaliado, podia gerar novas oportunidades. Além disso, o trabalho de modelo é de imagem e se você é vista, você é lembrada. A própria agência indicava o seu trabalho.

Mas Adriana recomenda que é necessário ficar atenta para fazer trabalhos que não prejudiquem a sua imagem, mesmo que seja bem remunerado. Por exemplo, se fizer um comercial de gases, pode marcar a sua imagem e te prejudicar.

Importante olhar todos os trabalhos que surgirem para fazer boas escolhas. Se a marca é boa, qual o produto e se a imagem daquela empresa não irá te prejudicar no futuro.

Formatos de contrato de trabalho para Modelos

Segundo Adriana, em geral, as agências não fazem um contrato que deem alguma garantia, não têm compromisso. A agência tenta vender a sua imagem. E se conseguirem, ganham uma comissão.  Caso contrário, não ganham nada.

Hoje é preciso tomar cuidado com as agências querem fazer book. Ganham cobrando as fotos da modelo, cobram pelo book, mas não fazem o trabalho para divulgar a imagem da modelo.

No passado, a modelo fazia o seu próprio book com as fotos que tirava ao longo de sua carreira e ia montando o seu portfólio. Quando mais material impresso, mais mostrava a sua experiência.

Adriana exemplifica que quando foi trabalhar em Los Angeles, para receber a permissão para trabalhar como modelo, eram exigidas 70 fotos impressas, ou seja, trabalhos já realizados. Avaliavam a agência para qual ela trabalhava e a sua carreira. E só então recomendavam para os clientes.

Na Alemanha ou no Brasil não há a exigência de fotos impressas.

No Brasil, normalmente a agência contrata a modelo sem exclusividade e começa a oferecer seu trabalho no mercado. Quando consegue, ganha comissão. Por outro lado, a modelo é livre para mudar de agência. O importante, destaca Adriana, a garantia é você mesma, o aprendizado, experiência e qualidade do seu trabalho.

O benefício da diversidade para as Modelos 50+ no Brasil

Na opinião de Adriana, hoje com a diversidade, as modelos podem ser mais velhas, podem ser mais gordas e podem ser negras, diferente do passado que tinha padrões mais rígidos. Tem modelos mais velhas trabalhando tanto lá fora quanto aqui. Ela mesma disse que está voltando a fotografar. Há modelos baixas e até mais gordinhas e outros biótipos diferentes.

Mas a pessoa tem que gostar e querer muito ser modelo.  Precisa ter algo diferente e, principalmente, acertar a agência que busca por esse perfil.

O perfil comercial precisa de tipos diferentes de mulheres: mãe, avó, dona de casa, etc

Para ser modelo de moda-desfiles existem padrões mais rígidos. Normalmente ser jovem, altura de 1,74 para cima, magra, não tanto como no passado. Existem exceções.

Para catálogos de moda hoje há as modelos Plus Size que também tem trabalhado em comerciais de tv, ao contrário do que acontecia no passado.  Há, inclusive, agências especializadas nesse perfil, assim como algumas para as modelos 50+.

O importante, novamente, é estar numa agência séria que pode gerar  mais oportunidades de trabalhos. Uma agência correta enviará a modelo para fazer os testes dentro do perfil que o cliente precisa.

Talvez o trabalho como modelo não seja suficiente como única fonte de renda para viver, mas se a pessoa quiser fazer isso como um hobby, ou remuneração complementar, pode ser compensatório, complementa Adriana.

Oportunidade para as Modelos 50+ no Brasil

O mercado para as Modelos 50+ tem oportunidades porque as empresas precisam atingir o público alvo de maneira mais direta e com identificação.

Adriana exemplifica:

  • Muitas vezes a pessoa com mais de 50 anos pode pensar que uma roupa fica bem naquela mulher porque é jovem e magra e não se identifica naquele perfil.
  • Ou uma mulher faz um papel de mãe com cara de filha. Então não convence.

As empresas estão tentando usar cada vez mais, pessoas reais, normais, sem padrão, sem ser Barbie. Ela lembra que quando começou a desenvolver catálogos de moda, sugeria a seus clientes que usassem, como nos da Benetton, modelos diferentes, orientais, negros, mas eles não queriam porque diziam que as clientes não se identificavam. Hoje todos querem.

Adriana, loira, de olhos azuis, trabalhou bem no Japão, assim como outras brasileiras.  E na Europa também. As agências precisavam mostrar seus produtos para todos os biótipos.

Adriana dá uma dica preciosa para as 50+ que querem se arriscar como modelo: tomem cuidado para procurar uma agência séria, que indique trabalhos e não só para fazer o book, cobrar por isso e engavetar.

Caso haja o interesse em fazer fotos mais elaboradas, para colocar no seu porta-retratos ou nas mídias sociais é legal fazer.  Mas não se iluda com agências que queiram fazer um book para vender o seu trabalho. Pode se iludir e se frustrar.

A curiosidade que se transformou no negócio

Adriana explica que, como modelo, sempre teve muito cuidado com a sua imagem, afinal, como ela já falou anteriormente, este é o grande ativo da modelo. Mas, com certeza a curiosidade fez toda a diferença nos aprendizados.

Os trabalhos de modelo envolvem muitas pessoas diferentes: estudios, produtoras, maquiadores, fotógrafos e cabeleireiros.

Maquiagem: ela sempre gostou de maquiagem e prestava muita atenção como o maquiador fazia e em alguns trabalhos se tornou necessário porque nem sempre tinha o maquiador.

Fotografia: Adriana estava sempre preocupada em sair bem nas fotos. Na época não havia máquina digital. Tinha que esperar revelar e depois ver se tinha ficado bem. Mas ela prestava bastante atenção na luz. E aprendeu como a luz define se você vai ficar feia ou bonita. Muitas vezes uma boa iluminação é melhor do que a maquiagem.

Quando começou a entrar a fase digital, viu que os fotógrafos tratavam a foto no photoshop. Comprou um computador e ficava só olhando para aprender. Um dia faltou a pessoa que fazia esse trabalho. Adriana sentou na frente do computador e fez o trabalho de photoshop e se apaixonou. Adriana diz que sempre gostou de desenhar, de pintar e de maquiar e tudo isto é feito no photoshop. Ela entende que o fato do seu pai ter sido artista plástico, ajudou na sua noção de pintura. E a partir daí começou a fazer produção para alguns clientes.

Produtora – seus anos de experiência como modelo e a sua curiosidade acabaram gerando uma bagagem para que Adriana começasse então a  fazer as produções para vários clientes onde as vezes era modelo, as vezes produtora, maquiadora ou tudo junto para a produção dos catálogos.

Ela adora este trabalho! Pensar em cada detalhe, transformar aquela roupa, a produção, o local da foto, a modelo, tudo para dar uma identidade para uma marca. “Roupas todos fazem, mas tem que criar essa identidade.”

Uma grande virada! Novo amor após separação de 40 anos de casamento

Adriana se separou depois de 40 anos de casamento com o seu primeiro namorado com quem estava junto desde os 15 anos. “Não foi uma coisa que eu programei. Quando eu vi, infelizmente aconteceu. Quando a gente se casa, não casa para se separar. Sou canceriana, muito família…”

No início ela ficou sem chão, recebeu muito apoio de seus dois filhos, da família e dos amigos. Se apegou a grupos de oração. Separação nunca é fácil. Trabalhava muito, cuidava dos filhos e nem pensava em recomeçar a vida. Ela tinha 56 anos.

Uma surpresa inesperada aconteceu no dia em que um de seus filhos disse que ela precisava responder as solicitações de amizade do Facebook. E foi lá que acabou por conhecer o seu atual marido.

Adriana aprendeu o real sentido da frase “Você precisa estar aberta” que até então ela não entendia quando as pessoas falavam. Hoje ela entende que você se abre quando não tem mais medo e quer conhecer pessoas, mas acha que precisa ser no momento certo e que tudo tem seu tempo. No caso dela, viveu 1 ano de separação que chamou de período de luto para se recuperar, reconhece que teve sorte mas conheceu o atual marido na hora certa.

Agora ela tem 5 filhos. Os dois ela e os três do segundo casamento e está vivendo um momento de paz depois de muito tempo.  E fica feliz por perceber que este novo relacionamento representa uma real possibilidade para outras mulheres.

É difícil virar a página, mas sentiu que precisava retomar a sua vida. Não é fácil recomeçar uma nova família. Tudo é delicado. Mas quando há amor envolvido e a pessoa quer muito, ela consegue, reforça Adriana.

Dicas da Adriana para as Mulheres 50+

Cuide-se sempre para quando aparecer uma oportunidade, tanto para ser modelo, como para a vida pessoal.

Adriana acredita que se a gente estiver bem com a gente mesmo, as coisas aparecem. Se cuidando com o apoio de uma religião, comendo bem, assistindo filmes bons, fazendo ginástica, dormindo bem, levando uma vida simples, as oportunidades irão aparecer.

Ela diz que estar aberta e preparada, também envolve a busca constante de conhecimentos e cuidados. Não esperar que vai cair do céu, é necessária dedicação e aproveitar os recursos que temos a disposição hoje para nos cuidar e aprender.

Adriana, inclusive, quer ensinar alguns exercícios faciais que ela pratica, baseados num livro que ela trouxe da Alemanha chamado “Building Face” (em inlgês) ou “Construindo os músculos da face” . São técnicas específicas que utilizam a ajuda dos dedos para fortalecer a musculatura da face e evitam as rugas.

Adriana também acha importante não sofrer diante do envelhecimento. “A idade chega e a gente só tem que agradecer que está viva e com saúde!”

Contato da Adriana – Instagram: @adrianazselinszky.

Assista o bate papo integral da Fundadora da Estilo 5.0+, Cintia Ruggiero, com a modelo Adriana Zselinsky. Acesse:

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Um abraço!

One thought on “Adriana Zselinszky. Você já pensou em ser modelo 50+?”

  1. Amei a matéria! Sempre tive um sonho de ser modelo, atualmente trabalho na área do direito, já fiz 50 anos e quero entrar nesse mercado. Fui convidada por uma agência, mas a entrevista foi cancelada por causa da pandemia.

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