Vamos falar sobre Logoterapia e o sentido da vida?

Vamos falar sobre Logoterapia e o sentido da vida?

O sentido da vida é algo que muitas pessoas se perguntam muitas vezes quando a dor chega. Mas Viktor Frankl, neuropsiquiatra austríaco, fundador da Logoterapia, dedicou a sua vida para estudar o sentido da vida e nos ajudar a compreender para vivermos melhor.

Cintia Yamamoto, fundadora da Estilo 5.0+ convidou a psicóloga Maria Ângela Rossetto para nos falar sobre Logoterapia, o método desenvolvido por Viktor Frankl.

Cintia relembra o perfil da Maria Ângela:

A Maria Ângela Rossetto é Psicóloga Clínica há 35 anos, com Mestrado na Escola Paulista de Medicina em Distúrbios da Comunicação.  Professora Titular há 30 anos das cadeiras de Psicopatologia, Psicologia do Desenvolvimento Humano e Método de Rorschach na Unfmu e atualmente na Unifesp. Perita nomeada na Vara da Família do Fórum de Santo Amaro e Avaliadora de Cursos de Psicologia pelo INEP e com vários Trabalhos publicados em Congressos Nacionais e Internacionais.

O que é Logoterapia e como ela surgiu?

Maria Ângela explica que a Logoterapia é a terceira escola psicológica vienense. Viena é o berço da psicologia. Lá nasceu a psicanálise a psicologia individual do Adler e a logoterapia.

A Logoterapia é a base fenomenológica existencial humanista e foi criada por Vitor Frankl que tem uma história muito linda em termos de superação.

Ela também é chamada de terapia do sentido da vida.

“Frankl era um judeu de classe média alta que vivia em Viena e antes de se levantar da cama de manhã, ele ficava pensando sobre o sentido da vida. Porque que a gente existia, para onde a gente ia, o porquê de fazer isso ou aquilo. Ele escrevia muito, inclusive, com pouca idade na adolescência já se correspondia com Freud que publicou na revista de psicanálise um artigo dele antes mesmo de se formar.”

Viktor Frankl nasceu em 26 de março de 1905, em, Viena, Áustria e faleceu em 2 de setembro de 1997, no mesmo país, com 92 anos.

Maria Ângela destaca que um ano antes de sua morte, ele ainda estava rodando o mundo dando palestras. Ele se formou médico e se especializou em neurologia psiquiátrica. Passou pela primeira guerra mundial. Como havia muita falta de comida, ele levantava muito cedo, ia pra fila que dava o alimento e aí quando chegava a hora de ir para a escola, era substituído pela mãe.

Aos vinte e cinco anos ele já era chamado do doutor das doenças mentais e já percorria o mundo dando palestras.

A teoria que ele estava construindo era sobre Logoterapia. Durante os seus estudos, trabalhou com uma comunidade de jovens que tentaram suicídio.

E o nível de suicídio abaixou muito depois que ele entrou lá. Então aos vinte e cinco ele já recebeu o título que poderia ser psicoterapeuta. Ele foi extremamente precoce.

A base da teoria do Viktor Frankl, a Logoterapia, é que se nós temos um porquê, um motivo pra viver, nós aguentamos quase tudo. Se a gente não tem porque viver, nós somos que nem um barco à deriva. E aí sim nós criamos problemas.

Então ele achava muito importante nós procurarmos qual é o sentido da vida.

Viktor era de uma família austríaca judia. Tinha duas irmãs. Os pais eram funcionários públicos e a família tinha uma vida confortável. Até que veio a Primeira Guerra Mundial e, como muitas outras famílias judias, a de Frankl também mergulhou na pobreza, dependendo inclusive de esmolas para sobreviver.

Em 1938, Viktor já atendia em seu próprio consultório de neurologia e psiquiatria e já se relacionava com a enfermeira Tilly Grosser, que trabalhava no hospital onde ele atendia. Naquele ano, Tilly ficou grávida.

Ela foi importante na teoria dele da Logoterapia.

Em março de 1938 as tropas nazistas fazem a anexação político-militar da Áustria. A família de Frankl, judia, está ameaçada. Mesmo tendo visto para viver no EUA, o médico decide ficar no país, com a sua família. Ele salva milhares de judeus da morte recusando-se a recomendar eutanásia aos pacientes com doenças mentais.

Tilly teve que abortar porque os nazistas estavam matando todas as mulheres judias grávidas pra não nascerem mais judeus.

E naquele ano toda a família foi para o campo de concentração.

Os pais e a irmã de Viktor são enviados para campos de concentração diferentes, bem como ele e a esposa. Quase todos morrem: o pai e a esposa de exaustão, a mãe enviada às câmaras de gás. A irmã sobrevive refugiada na Itália e Viktor passa três anos sob condições terríveis.

Frankl tomou o cuidado de fazer várias anotações sobre a teoria dele costurando no fundo do bolso do seu casaco de inverno. Só que chegando no campo de concentração, os prisioneiros tiravam tudo: casaco, sapato e para eles não sentirem frio no meio daquela neve eles ficavam todos aglomerados e ganhavam um pijama listado bem fino, provavelmente de alguém que já tinha morrido na câmara de gás.

O sapato também era tirado. E eles faziam troca com o sapato melhor de quem já havia morrido e assim por diante. Ele ficou desesperado quando se viu sem o casaco onde estavam suas anotações.

E aí quando ele recebeu um outro casaco, ele colocou a mão no bolso e achou uma oração de encorajamento. Então olha para a cerca elétrica e promete para si mesmo que ele nunca ia se atirar como as pessoas faziam.

Ele passou por 4 campos de concentração. Trabalhando em minas, construindo o que os nazistas queriam que fosse construído. Em um deles, ele encontra seu pai já debilitado em estado bem avançado e com tifo. Ele conseguiu roubar uma morfina, aplica no pai e se despede porque partiria para outro campo de concentração. Cada campo que ele ia não sabia se era lá que iria para a câmara de gás.

Mas ele tinha muita esperança; ele sobreviveu com a esperança de encontrar a mãe, as irmãs e a esposa. Ele queria encontrar a família. Quando ele estava fazendo serviços, cavando terra, túneis, ele passava o tempo pensando na esposa e conversando mentalmente com ela e fazendo planos para quando saísse de lá.

Era isso que o mantinha. E por tudo o que ele viu dentro do campo, ele ia aperfeiçoando a teoria dele. Ele dizia que nós não somos produto do meio ambiente como muitas teorias psicológicas falam. Nós somos produto das nossas decisões.

Maria Ângela exemplifica esta teoria onde Viktor diz que ele via que entre os judeus, quando recebiam um pedaço de pão no café da manhã, muitos comiam só um pedacinho e guardavam o resto para comer mais tarde. E muitos outros que também estavam com fome, passando por momentos terríveis davam seu pedacinho de pão para aqueles que estavam piores.

Ele observava também que dentre os soldados nazistas e os “capos”, os judeus que controlavam o trabalho deles, eram muitas vezes mais perversos que os próprios soldados nazistas e ele chega a uma conclusão: não existem várias raças. Existem só duas: as pessoas que são decentes e as que não têm decência.

A teoria dele vai se tornando robusta conforme ele vai vivenciado essas situações.

Em 1945 acaba a Segunda Guerra e Viktor é libertado. Ele sai do campo de concentração com 25 quilos. Ele demorou 4 meses para chegar em Viena. Ao chegar em casa, ele vê a lista dos mortos onde constavam o nome de uma das irmãs, da mãe e do pai dele. Mais tarde ele vai se reencontrar com a irmã que está refugiada na Itália.

Ele ficou desesperado porque o nome da esposa não estava em nenhuma lista. Ele correu para um professor dele da universidade, alemão, mas que não tinha aderido ao nazismo.

O professor chamou todos os amigos para encontrarem o Frankl. Estavam preocupados que ele pudesse cometer o suicídio. Redigiram então um documento onde o Frankl prometia não fazer isso.

Esse documento foi usado como uma carta para pedir um emprego na Policlínica, onde ele foi admitido e trabalhou por toda a vida, vindo a ser Diretor e professor universitário.

Viktor Frankl sobreviveu a três anos de trabalho forçado e condições miseráveis e ainda assim conseguiu roubar alguns papéis e escrever as ideias principais de sua obra-prima: Em Busca de Sentido (1946), escrita em nove dias e lançada já em 1946. O livro já está na 76ª. Edição.  Foi traduzido em 90 línguas onde ele coloca a teoria dele e as experiências que vivenciou nos campos de concentração.

Nesse processo, muitas vezes ele se jogava no sofá e chorava copiosamente devido às lembranças. Isso foi bom, porque segundo Freud, ele pode reagir, jogar para fora. Depois ele escreveu outro livro importante para ele: Um psicólogo no campo de concentração. Maria Ângela recomenda a leitura desses dois livros para que todos saibam o que é o horror de ser dominado.

Viktor Frankl escreveu 39 livros e deu palestra no mundo inteiro.

Certa vez, vindo para o para o Brasil para uma palestra, com sua nova esposa, Hellen, desce no Rio de Janeiro e é recebido pelos pais e a irmã da ex-mulher e uma senhora vestida tipicamente de judia.

Ele ficou muito emocionado. E perguntou sobre o paradeiro da ex-mulher. A senhora explicou que ficou com a ex-mulher do Frankl até os seus últimos dias. Que ela estava enfraquecida e tomou uma água contaminada de tifo, vindo a falecer. Mas antes de morrer, conversou muito com a amiga que conheceu no campo de concentração e disse que o Viktor Frankl tinha uma missão muito importante no mundo. Pediu então à amiga para que, caso falecesse, entregasse um crucifixo, para o Frankl se o encontrasse algum dia. Tinha sido presente dele quando ficaram noivos.

Não houve ninguém no aeroporto que não tenha ficado emocionado com essa situação. Mais de 30 anos depois e ele finalmente teve notícias do que aconteceu com a esposa dele.

Ele continuou desenvolvendo a sua teoria, a Logoterapia, e hoje é considerado um dos teóricos mais famosos da psicologia.

Em que momento a Logoterapia é utilizada?

Maria Ângela responde que Logoterapia é uma das técnicas, uma das principais, mas não estudamos com profundidade na faculdade onde o foco é mais forte no estudo da psicanálise e o behaviorismo. A Logoterapia é abordada dentro das linhas de abordagem existencialista.

Tem a função de tornar o paciente capaz, com liberdade e responsabilidade, buscar o sentido da vida. O que ele quer, qual o sentido de estar aqui. Tem que pensar e planejar. Tem que pensar no passo a passo de como irá atingir esse objetivo. O papel do Terapeuta é ajudar o paciente nisso: em buscar sentido e planejar esse sentido. Mas sempre com muita responsabilidade e levando em consideração as características de cada um.

Frankl concorda que recebemos a vida, mas não pronta. E nós temos que fazê-la.

Quando ele afirma que não somos frutos das circunstâncias, e sim do que fazemos, ele está jogando uma responsabilidade grande. As vezes ele perguntava: “quando você morrer, como você quer ser lembrado, falando o que. Como você gostaria de ser apresentado na vida. Que lembrança você que deixar”. Ele trabalha muito isso nessa reflexão para o paciente.

Frankl vê o ser humano de forma tridimensional. A parte biológica, a parte mental e a parte moética que é a espiritual, mas não tem nada a ver com religião. Ele não recomendava nenhuma religião e nem ir para a igreja. “A busca de Deus não faz sentido porque ele está dentro de mim” ele dizia.

“A gente não deveria ser dominado por ninguém. Temos que seguir o que queremos, com responsabilidade” ele argumentava. Era totalmente contra o fanatismo e a idolatria. Dizia que isso levava o homem a destruição e isso levou a guerra e continua levando. Totalmente contra a polarização. Devemos andar no caminho no meio. Os extremos são péssimos. Os extremos fazem com que as nossas decisões sejam extremadas. A terapia é o encontro com a vida. Consigo mesmo.

Ele fala muito da busca que temos hoje em dia pela felicidade. A felicidade é o copo meio cheio e meio vazio. Qualquer um de nós vai viver a tríade trágica: a dor, o sofrimento e a morte. Ninguém escapa disso. Nós temos que ter a missão de tirar da vida uma lição. Não o que eu ganho com isso, mas que pessoa eu sou frente a isso, refletia Frankl.

Maria Ângela muitas vezes pede para os alunos lerem alguns livros e alguns aparecem perguntando: e o que que nós vamos ganhar com isso? E ela responde: “algo que ninguém vai te tirar, a sabedoria.”

E convida à reflexão: O que eu ganho falando com ela? O que eu ganho deixando ela ser minha amiga? Não é o que eu ganho. Mas o que eu sou. A gente tem que transcender. Não pode ficar só na sua dor. Quando você vai entender a dor do outro, a sua passa, a dele ensina.

Ela dá um exemplo: você está de férias, deitado na areia, relaxando. “Não saio daqui por nada. Daqui a pouco passa uma criança perdida, procurando a mãe. Vou ficar contemplando? Não, vou ajuda-la. E se pergunta: “Quais são os meus valores para eu agir diferente.”

Maria Ângela finaliza citando outra frase de Viktor Frankl:  “A gente nunca vai poder definir o sentido da vida para ninguém porque é muito particular, é próprio; é da pessoa. O terapeuta é só um ponto de ajuda”.

Como a aplicação da Logoterapia é escolhida para ser aplicada

Maria Ângela explica que a técnica é escolhida pelo Terapeuta que procura a sua formação e especialização. Ela exemplifica:

“Eu tenho uma especialização em psicanálise e durante essa especialização a pessoa é obrigada a fazer a terapia psicanalítica. E apesar de gostar da teoria do Freud, eu achei extremamente radical a forma de tratar. Você deita num divã, o terapeuta de costas para o paciente, o tempo é extremamente rígido, o paciente não tem o contato frente a frente com o terapeuta. Não meu senti bem nessa linha terapêutica porque a minha personalidade é, eu gosto do contato e sempre achei que dos nos dias de hoje as pessoas precisam falar olhando para o outro.”

Maria Ângela continua explicando que os profissionais procuram as especializações dentro da capacidade da nossa personalidade e dentro do que acreditam.

“Eu não ajudaria ninguém interpretando e falando que a sua hora terminou, e o paciente chorando. Eu tenho algumas críticas a princípio na aplicação de algumas técnicas mais rígidas”.

Na opinião de Maria Ângela, a Logoterapia difere das outras porque ela não é tão retrospectiva, apesar de entender que todas as técnicas vão buscar o mesmo fim por caminhos diferentes.

Lógico que é muito importante saber a biografia e o passado do paciente, reflete Maria Ângela, mas, na Logoterapia, existe o foco para o futuro. No aqui e agora, o que o paciente vai plantar para colher no futuro, com uma visão mais otimista.

Maria Ângela interpreta: “Você passou tudo isso e aprendeu o que com isso? O que você faz hoje te dá prazer? Se você só trabalha para gastar o dinheiro em comida e em contas. Aí o seu trabalho fica ruim. Porque é chato trabalhar somente para pagar contas.

Mas quando você tem um objetivo quer ir para Europa, quer uma casa de campo, ou comprar uma casa para um filho, qualquer coisa assim, tem motivação. Trabalha mais animado.

Se a gente tem um objetivo, um propósito a alcançar, vamos fazer a coisa melhor. Só tem que planejar. Sem o planejamento não acontece. E precisa ir passo a passo.”

Maria Ângela ressalta que a relação terapêutica é mais aberta porque aplica o diálogo socrático que é a técnica de realização de perguntas com o objetivo de esclarecer as ideias e respostas do paciente. Então o Terapeuta conversa o tempo todo com o paciente fazendo as perguntas socráticas e ele mesmo vai tirar as conclusões e caminhar.

“Frankl chamava isso de encontro. É um encontro de duas personalidades únicas.”

A Logoterapia e o vazio existencial

Maria Ângela comenta que o vazio existencial que tem sido um dos principais motivos para se aplicar o tratamento pela técnica de Logoterapia e ela ressalta que este sentimento não está concentrado em uma faixa etária específica, pelo contrário, está muito espalhado e depois da pandemia ela sente o ser humano muito mais perdido.

Ela acha que no século 21 há um predomínio muito grande do vazio existencial.  As pessoas não toleram frustração, o tédio e a existência propriamente dita.

E isso o Nietzsche (*) já falava que nós íamos enfrentar séculos terríveis porque Deus estava morto e ele comenta sobre isso no seu livro: “Assim falou Zaratustra”. Com a evolução da ciência o ser humano não vai mais ao religioso procurar a cura. A cura está na ciência. Então, continua Maria Ângela, segundo Nietzsche, se Deus está morto tudo pode acontecer e não haverá punição. Então para que seguir as regras de alguém que não existe. Se Deus está morto então não há mais fé.

Daí surgiu o movimento niilista (Niilismo é uma doutrina filosófica que atinge as mais variadas esferas do mundo contemporâneo cuja principal característica é uma visão cética radical e sobretudo pessimista em relação às interpretações da realidade, que aniquila valores e convicções. Fonte: Wikipédia). E que nada tem um porquê. Nada tem um significado. Não é só Deus que não existe. Nada existe. Na sua opinião, os jovens atualmente têm muito forte isso: a descrença.

Mari comenta que também perdemos muito das tradições como por exemplo as de Natal, do Ano Novo, a Páscoa datas comemoradas sempre em família; parece que tudo foi se perdendo.

Na sua opinião, essa perda de tradições leva o ser humano a dois tipos de comportamento:

  • o conformismo: faço tudo o que o outro faz ou
  • o totalitarismo: faço tudo o que o outro quer que eu faça

E ela continua explicando que esse comportamento é, muitas vezes, a base da depressão, da ansiedade, da angústia. E uma coisa leva a outra, como muita exploração da bebida, da hipersexualidade e a falta de responsabilidade com o outro.

Hoje as pessoas estão se anestesiando para viver.

Você vai numa festa de jovens e vê que eles ficam com várias pessoas. E, muitas vezes, bêbados. Nem lembram os nomes das pessoas com quem ficaram nas festas. Até mesmo as pessoas da nossa faixa etária estão volúveis.

Maria Ângela comenta: “Não pergunto para o meu paciente porque ele bebe. Pergunto porque ele está fugindo dele mesmo”.

“Sou um pouco contra livros de ajuda, alguns nos deixam com complexo de inferioridade muito grande.” Exemplifica: “estou falando as palavras que mandaram falar, estou fazendo o pensamento positivo que me mandaram fazer e não está funcionando. Será que é só comigo que acontece essas coisas?  Acho que falta essência. A questão de você se respeitar e achar um porquê para sua vida.”

A felicidade e o sentido da vida nas pequenas grandes coisas

“Muitas vezes a gente faz coisas inexplicáveis no dia a dia. Por exemplo, você pode, de repente sem mais nem menos, dar um dinheiro para alguém sem mesmo ela ter pedido. Mas porque você fez isso? O que aconteceu? Como você ficou depois que você fez isso? O que a vida está me dizendo? Como eu devo ser?” Destaca Maria Ângela e continua.

O seu consultório é na mesma rua aonde mora. E muitas vezes vai a pé. Muitas vezes cumprimenta pessoas na rua, dá um sorriso e recebe de volta. Chega no consultório exultante, muito mais feliz.

Muitas vezes você entra numa loja que costuma frequentar periodicamente e a pessoa te recebe muito bem, com alegria. Você se sente como se tivesse um amigo.

Maria Ângela convida à reflexão: Por que eu fiz isso? Porque esse meu gesto? O que eu quero com isso? O que eu faço por ora sem sentir cansaço e que nada me distraia.

O que eu fiz hoje que me deixou extremamente feliz? Procurar o significado das pequenas coisas. E que não são pequenas. É muito difícil achar um sentido de vida se você tiver medo de se responsabilizar pelas suas coisas e pelas do outro.

Como a logoterapia e a terapia tradicional tratam os casos de ansiedade e depressão?

Maria Ângela detalha que cada linha terapêutica trata de um jeito. Por exemplo, a psicanálise vai analisar a dinâmica de Id, ego, superego, a questão da transferência. A terapia cognitiva vai fazer o indivíduo compreender essa situação. O behaviorismo acredita que se algo pode ser aprendido, também pode ser desaprendido.

A Logoterapia vai trabalhar o indivíduo mostrando que não adianta o desespero frente a situações que todas as pessoas passam em algum momento como dor, culpa, morte, mas ele deve buscar soluções e saídas para isso. Transcender essa dor, lembrando que nas maiores dores sempre surgem as maiores coisas. Tudo tem um porquê. Então a gente precisa achar esse porquê.

Ela acrescenta que a depressão e a ansiedade são multifatoriais. Importante analisar o quanto é uma depressão ou uma tristeza. Se é uma ansiedade patológica ou ansiedade normal e exemplifica:

“Se estou ansiosa porque vou fazer uma prova é normal. Vou ser avaliada. Mas se estou tomando banho e surge uma angústia, uma sensação de pânico, pode ser patológico e talvez precise buscar um psiquiatra para entender o que acontece. E que a vida não é só isso. Tem muito mais. Achar o que é importante na vida para ele. O significado.”

Maria Ângela comenta que foi visitar um tio de 94 anos que tinha perdido sua esposa. Ele reclamou: “não me conformo com o que a sua tia fez. Ela prometeu que ia me deixar morrer antes.” Maria Ângela respondeu: “já pensou se você tivesse morrido antes? Ela ia sofrer muito sem você.” E ele concordou: “É verdade”

O sentido da vida se aplica no dia a dia

Maria Ângela convida: “Está difícil para você?  Vamos procurar por outros lados. Não deixe a peteca cair. Vamos em frente. Se a gente tem um motivo para viver, para lutar, a gente aguenta. É procurar esse motivo.”

Reflita: “Porque que eu quero viver bem? A felicidade não vem do que eu possuo, mas vem de dentro. É um exercício muito grande, mas vale a pena. A gente fica melhor.”

Maria Ângela compartilha que tem muito isso na cabeça: “quando a gente navega sem destino, não há nenhum vento favorável. Aonde eu quero chegar?”.

Mesmo quando ela passou por momentos de muito sofrimento diante da morte de seus pais e ela cuidava muito do seu pai e não via isso como nenhum tipo de sofrimento.  Ela precisava fazer aquilo. Precisava muito daqueles momentos com ele.

Ela comenta: “Eu cresço com isso. É isso tipo de coisa. Não aquela lamentação, preciso fazer isso, preciso fazer aquilo. Estávamos à beira de nos despedir e a gente se precisava”.

“Vejo tanta gente se queixar. Tenho que dar dinheiro para o meu pai, tenho que ajudar meus pais. Que bom que você os tem”. Hoje ela vê um egoísmo muito grande, complementa.

Contato com a Maria Ângela através do e-mail: mac_rossetto@hotmail.com

Para quem quer saber um pouco mais sobre Logoterapia, Maria Ângela sugere:

  • Dr Alberto Nery, professor, psicólogo e 12 anos com experiência em Logoterapia. https://www.youtube.com/@AlbertoNeryPsi/featured
  • Ela recomenda começar a leitura dos livros de Viktor Frankl pelo “Em Busca de Sentido” e em seguida, “Um Psicólogo no Campo de Concentração”.

– Em busca de Sentido

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– Um Psicólogo no Campo de Concentração

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Assista o bate-papo integral da Cintia Yamamoto com Maria Ângela Rossetto:

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