Sororidade versus rivalidade entre mulheres

Sororidade ou rivalidade

A rivalidade feminina é um estereótipo culturalmente enraizado, alimentado por uma cultura machista que coloca mulheres em constante competição por validação, espaço ou atenção.

Já a sororidade propõe o oposto: a união, a empatia e o apoio mútuo entre mulheres, baseados no reconhecimento de experiências de vida semelhantes.

Por trás das críticas e julgamentos entre mulheres, frequentemente estão lógicas e mecanismos internalizados.

A escassez de poder e o mito de que “há espaço para apenas uma mulher no topo” geram inseguranças e sabotagens sutis.

Muitas vezes, esses conflitos são reflexos da necessidade de sobrevivência em um sistema que exige perfeição e cobra um alto custo emocional das mulheres.

Em podcast do Jornal da USP, Palavra da Semana: “Sororidade vem do latim soro, que significa irmãs. O termo compreende o movimento para a desconstrução do mito da rivalidade entre mulheres, construído, enraizado, naturalizado e alimentado social e culturalmente para boicotar e incapacitar o feminino. A rivalidade é um estereótipo de gênero que oprime e dita, constantemente, a competição feminina, tendo efeitos na sociabilidade das mulheres bem como na validação masculina. Sororidade diz respeito à ideia de solidariedade entre mulheres, união, afeto e amizade.”

Em matéria publicada pela Antropóloga Mirian Goldenberg na Revista Vogue, ela reflete sobre como o julgamento feminino reforça padrões de controle e por que apoiar outras mulheres é um ato transformador.

Nos anos 1960 e 1970, mulheres feministas, especialmente nos Estados Unidos, passaram a usar o termo sisterhood (irmandade entre mulheres) para incentivar o apoio, o fortalecimento e a união entre as mulheres. No Brasil, a palavra sororidade passou a ser usada a partir dos anos 2000, com o impacto dos debates feministas no mundo acadêmico e nos movimentos sociais.

Segundo Miriam, muitas vezes, “são as próprias mulheres que reproduzem e fortalecem a “lógica da dominação masculina”, acreditando que os homens são superiores e competindo entre si para serem as únicas. Essa ideia se manifesta quando mulheres internalizam padrões de competição e de rivalidade impostos por uma cultura patriarcal, achando que só há espaço para uma no mercado profissional e até mesmo no chamado “mercado afetivo e sexual”.

Ela cita várias experiências recentes descritas na matéria que a Miriam escreveu para a Revista Vogue onde recebeu críticas. Por exemplo, sobre a fisiculturista Mônica Bousquet, de 64 anos, que estava fazendo cardio na bike de biquíni. Ou da sua matéria sobre a Márcia Barbosa, reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que é criticada por mulheres do mundo acadêmico por usar minissaia.

“Esses casos demonstram claramente que os preconceitos contra as mulheres não se limitam ao julgamento individual: eles reproduzem normas sociais de controle do corpo e do comportamento feminino, reforçando padrões de dominação masculina” comenta Miriam.

Em outra oportunidade, Miriam comenta: “nós denunciamos o machismo, o patriarcado, a dominação masculina, e parece que as mulheres estão fora disso. Infelizmente não é assim, porque a lógica cultural é a da competição, da comparação e da inveja.”

Mesmo quem defende a “sororidade”, às vezes, age com rivalidade, por medo de perder espaço ou reconhecimento.

Em programa, na TV Cultura, com Ingrid Gerolimich, Miriam enfatizou um ponto que suas pesquisas comprovam. Ao perguntar “Quem vai cuidar de você na velhice?”, a resposta das mulheres foi “eu mesma” e, em seguida, “minhas amigas”. As respostas da maior parte das mulheres pesquisadas, inclusive das que são casadas e têm filhos, reforçam a ideia de que as amigas são a nossa principal riqueza em todas as fases da vida.

Em artigo do mundoeducacao.uol.com.br, o Professor de História Tiago Soares Campos, identificou algumas ações para aplicar a sororidade na prática. Vamos conhecer?

Como aplicar a sororidade na prática?

Segundo o professor, praticar a sororidade envolve ações cotidianas que promovam a união e o apoio mútuo entre mulheres. Algumas dessas ações incluem:

  • Escuta ativa e empatia: criar espaços seguros onde as mulheres possam compartilhar suas experiências e dificuldades sem medo de julgamento ou represálias. Essa prática permite a troca de vivências e o fortalecimento de vínculos.
  • Combate à rivalidade feminina: evitar atitudes que reforcem estereótipos de competição entre mulheres, como críticas baseadas na aparência ou comparações injustas. Isso inclui desconstruir narrativas que promovem a ideia de que mulheres são naturalmente rivais.
  • Promoção de redes de apoio: participar ou criar grupos de apoio que auxiliem mulheres em situações de vulnerabilidade, como vítimas de violência de gênero ou mães solo. Essas redes são fundamentais para oferecer suporte emocional, financeiro e logístico.
  • Educação e conscientização: informar e educar outras mulheres sobre seus direitos e sobre a importância da solidariedade feminina. Isso pode ser feito por meio de workshops, palestras ou materiais educativos.
  • Apoio a mulheres em posições de liderança: incentivar e valorizar mulheres que ocupam cargos de destaque, seja no ambiente de trabalho, na política ou na sociedade. Isso inclui combater preconceitos e apoiar iniciativas lideradas por mulheres.
  • Exemplos de sororidade podem ser encontrados em diversas culturas e contextos. Nas comunidades quilombolas, por exemplo, as mulheres muitas vezes lideram iniciativas de preservação cultural e ambiental, demonstrando um forte senso de coletividade e apoio mútuo.

Essas práticas são uma manifestação clara de como a sororidade pode transformar vidas e comunidades.

Mirian Goldenberg complementa: “O que estamos perdendo, reforçando essa lógica da dominação masculina, é a oportunidade de transformarmos o imaginário coletivo consolidado há séculos para, finalmente, não apenas valorizar o potencial de outras mulheres como compreender que juntas somos muito mais fortes e corajosas.

E essa transformação, ou revolução, tem a ver com atitudes no dia a dia, e não apenas em discursos sobre sororidade.

Chegar à maturidade é um convite para “desarmar a guarda”. Não precisamos mais provar nada a ninguém, tampouco competir por espaços que já são nossos por direito.

Quando trocamos a rivalidade pela sororidade, não só aliviamos o peso do julgamento sobre as outras, como também nos libertamos para viver com mais leveza, autenticidade e conexão genuína. Afinal, juntas fomos e sempre seremos incomparavelmente mais fortes.

Afinal, como dizia o escritor grego Esopo, “a união faz a força” que resume a ideia de que atuar em conjunto e cooperar permite alcançar objetivos muito maiores.

Pesquisamos alguns vídeos sobre o tema para você se inspirar, assista!

Sororidade! Rebele-se em comunidade – Ana Paula Padrão

Amigas ou rivais? O paradoxo da sororidade por Mirian Goldenberg -Folha de São Paulo

Mulheres que apoiam outras mulheres – Cristiana Oliveira – 01:00

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Fontes:

https://vogue.globo.com/sua-idade/noticia/2026/04/sororidade-ou-rivalidade-o-que-esta-por-tras-das-criticas-entre-mulheres.ghtml

https://jornal.usp.br/podcast/palavra-da-semana-74-sororidade-movimento-para-desconstruir-o-mito-da-rivalidade-feminina/

https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/sororidade.htm

 

Cintia Yamamoto Ruggiero

Sou apaixonada pelo tema Longevidade, curiosa e inquieta! Quero participar ativamente da revolução da longevidade e colocar o aprendizado profissional de mais de 30 anos e a experiência nas áreas de Negócios e Marketing para trazer conteúdos, produtos e serviços para as Mulheres 50+, conectadas, curiosas e interessadas!