A evolução da mulher no mercado de trabalho – realidade e desafios

A evolução da mulher no mercado de trabalho - realidade e desafios

Dia 1º. de maio, comemora-se o Dia do Trabalhador, ou o Dia do Trabalho. É uma data comemorativa internacional, dedicada aos trabalhadores em quase todos os países do mundo, sendo feriado em muitos deles.

Ao lermos sobre isso nos paira na mente uma pergunta: como foi a evolução da mulher no mercado de trabalho? E quais os seus desafios e novas oportunidades?

Evolução Histórica

Se voltamos um pouco no tempo, vamos lembrar que as convenções do início do século passado ditavam que o marido era o provedor do lar. A mulher não precisava e não deveria ganhar dinheiro.

As que ficavam viúvas, ou eram de uma elite empobrecida, e precisavam se virar para se sustentar e aos filhos, faziam doces por encomendas, arranjo de flores, bordados, davam aulas de piano etc., mas além de pouco valorizadas, essas atividades eram mal vistas pela sociedade.

Mesmo assim, algumas conseguiram transpor as barreiras do papel de ser apenas esposa, mãe e dona de casa, que ficou no passado. A partir da década de 70, quando as mulheres foram conquistando um espaço maior no mercado de trabalho aconteceu a mudança sem data para terminar.

Valores femininos

Segundo artigo publicado no site www.hportal.com.br, o mundo começa a apostar em valores femininos, como a capacidade de trabalho em equipe contra o antigo individualismo, a persuasão em oposição ao autoritarismo e a cooperação no lugar da competição.

Atualmente, as mulheres já ocupam postos nos tribunais, nos ministérios, na direção de empresas, em organizações de pesquisa de tecnologia de ponta. Pilotam jatos, comandam tropas, perfuram poços de petróleo, jogam futebol e apitam jogos internacionais.

Não há um único gueto masculino que ainda não tenha sido invadido pelas mulheres. Não há dúvidas de que nos últimos anos a mulher se tornou cada vez mais presente no mercado de trabalho.

Esse fenômeno mundial tem ocorrido tanto em países desenvolvidos, como nos em desenvolvimento, como o Brasil.

Taxa de desemprego feminina: maior que a masculina.

Matéria publicada pela CNN, mostra uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-IBRE) que apontou que, desde 2012, a taxa de desemprego das mulheres é superior à dos homens.

De acordo com o levantamento, o índice de desempregadas era de 16,45% em 2021, o equivalente a mais de 7,5 milhões de mulheres. No total, o índice médio anual de desemprego na economia foi de 13,20% em 2021.

O estudo foi feito com base em análise de dados da PNAD de 2021, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Participação da mulher no mercado de trabalho- Pesquisa FGV.

Segundo a FGV, entre os anos de 2014 e 2019, a taxa de participação feminina no mercado de trabalho cresceu continuamente e atingiu 54,34% em 2019.

Em 2020, com a pandemia, o índice recuou para 49,45% e ficou inferior ao início da série histórica, em 2012, que registrou 51,58%. Em 2021, houve uma leve melhora para 51,56%. Os números são, ao menos, 20% inferiores aos dos homens.

Em 2012, eles tinham 74,51% de participação no mercado de trabalho. Em 2020, esse índice era de 69,78% e aumentou para 71,64% em 2021.

De acordo com a pesquisadora Janaina Feijó, o objetivo do estudo foi expor a disparidade de gênero que ocorre “a partir de fatos históricos” e que ainda persiste no mercado de trabalho.

Desemprego por nível educacional

O estudo mostra ainda que a taxa de desemprego por nível educacional é ainda alarmante. Em 2012, para as mulheres que tinham o ensino médio completo, o número era de 10,97% e, dos homens, 6,34%. Em 2021, esse número saltou para 19,04% e 11,63%, respectivamente.

A pesquisa também fez um ranking das profissões que têm salários mais altos e a porcentagem de homens e mulheres inseridos em cada uma delas.

Entre os médicos, elas representam 51,1% e o salário médio é de R$ 16.341. Em segundo lugar, vêm os diretores e gerentes gerais. Apenas 23% são mulheres. A média de salário é de R$ 15.968.

Mulher madura e etarismo.

Além de todos os desafios da mulher no mercado de trabalho, o Etarismo, preconceito contra a mulher madura, dificulta a retenção de profissionais mais velhas. E é maior do que o sofrido pelos homens.

“Depois dos 50 anos, o etarismo acaba sendo um problema a mais para elas, concorda Simone Cornelsen, diretora-geral do Lab60+, movimento de pessoas e organizações que tem como meta revolucionar o significado da longevidade.

E ele se manifesta além da inserção ou reinserção da mulher com 50 anos ou mais. Também pode ser visto no dia a dia delas em seus postos. “Há muito preconceito contra a mulher no mercado de trabalho velado. A mulher de cabelos brancos é vista como desleixada e de aparência pouco profissional. Isso não acontece com o homem grisalho, enfatiza o estudo.

A pressão também é sentida quando a mulher opta pela maternidade tardia. “Isso coloca mais uma camada de temor nessa relação com o trabalho”. Há ainda, segundo o estudo, “muito medo de que um jovem tire seu lugar. O que impacta na tentativa de omitir a idade no currículo, na tintura do cabelo ou numa cirurgia plástica”.

No entanto, a mulher madura no mercado de trabalho está sensibilizando algumas corporações que começam a perceber que são as mulheres maduras quem têm algo raro a oferecer. O trato empático com clientes e fornecedores é um diferencial. Com uma visão mais ampla da empresa, elas aplicam um saber que só a maturidade dá, se engajam mais e são mais comprometidas”, comenta o estudo.

50+ – Oportunidades

Fora do Brasil, já há sinais de que o mercado de trabalho pode se abrir mais às maduras. Um estudo da Wharton School of the University of Pennsylvania, publicado em 2018, indica as 50+ como o segredo para impulsionar a economia dos Estados Unidos nas próximas décadas.

Nele, os pesquisadores chamam a atenção para as mulheres entre 55 e 64 anos. Na chamada “geração-sanduíche” (trabalham, têm filhos dependentes e começam a sentir a demanda para dar suporte aos pais), elas estariam prontas para assumir ou manter um emprego que lhes dessem prazer, desde que em contratos mais flexíveis de jornada de trabalho.

Olhando para o futuro, os setores que devem reter e atrair essas mulheres são os de cuidados infantis e educação, saúde e vida assistida. Uma maneira, mesmo que sutil de combater o preconceito contra a mulher no mercado de trabalho. “O cuidado, de um modo geral, tende a estar no universo feminino. Pode ser um diferencial no mercado de trabalho. Isso tem total alinhamento com as áreas de saúde e educação”, avalia a diretora-geral do Lab60+.

Visões equivocadas sobre o preconceito contra a mulher no mercado de trabalho

A pesquisa “Envelhecimento nas Organizações e a Gestão da Idade”, realizada pela FGV com a Aging Free Fair, mostrou que, para ambos os sexos, a visão dos gestores também é barreira para a manutenção da carreira.

Os resultados revelaram que os líderes percebem os seniores como carentes de criatividade e incapazes de se adaptar às novas tecnologias. “É um grande equívoco. Criatividade é algo que se alimenta a vida toda. Um maduro pode ser extremamente criativo, ágil e digital”, ressalta a pesquisadora.

As percepções positivas são associadas, sobretudo, a fidelidade à empresa comprometimento no trabalho e maior equilíbrio emocional. Isso ao comparar com os mais jovens. Mas “as visões negativas ainda parecem ter maior valor, o que acaba refletindo na falta de práticas organizacionais”, lamenta a professora da FGV-EAESP.

“É por isso que muitas mulheres pensam em construir outra carreira, mais longeva, por exemplo, em consultoria, coaching, na academia, como conselheira de empresas ou mesmo empreendedora”, pontua.

A Lab60+ criou o programa Reinvente-se, que ajuda a mapear as habilidades desenvolvidas e que satisfazem a mulher. “Tem que colocar o prazer como centro de decisão. Do contrário, é o medo que aparece na frente e tudo o que é pautado nele tem um custo emocional muito grande. Prefiro inverter isso, entendendo o que falta para completar as habilidades que me façam trabalhar feliz”, relata a pesquisadora do Lab60+.

Para ela, o trato com as mídias sociais e o marketing pessoal são fundamentais nisso, além de ficar antenado nas novidades que estão sendo trazidas nas universidades (novos cursos, abordagens ou matérias), capacitação à distância e reciclagem.

CEOs mulheres 50+, é possível?

Ainda há muitas barreiras no mercado para a ascensão das mulheres a cargos de liderança. É o que mostrou um levantamento da BR Rating, primeira agência de rating de governança corporativa do país.

Segundo a pesquisa feita com 486 empresas e que empregam de 200 a 10 mil funcionários, sendo 59% de nacionais e 41% multinacionais, somente 3,5% das companhias têm CEOs mulheres e 16% têm mulheres em cargos de diretoria. Já 19% das corporações têm mulheres em cargos de gerência.

Muito trabalho pela frente

Segundo entrevista do Morris CEO da Maturi50+, é comum discutir e desenhar projetos de diversidade, equidade e inclusão voltados à potência da mulher, mas pouco se vê ações direcionadas à mulher madura. “Eu desconheço. As pessoas maduras vão ficando esquecidas e as mulheres maduras mais ainda. A maior parte da população é composta por mulheres, quando olhamos somente na faixa acima dos 50 anos a proporção aumenta. No entanto, em cargos corporativos isso não está representado. Temos muito trabalho pela frente. ”

Segundo a pesquisa feita com 486 empresas e que empregam de 200 a 10 mil funcionários, sendo 59% de nacionais e 41% multinacionais, somente 3,5% das companhias têm CEOs mulheres e 16% têm mulheres em cargos de diretoria. Já 19% das corporações têm mulheres em cargos de gerência.

Saiba mais sobre o mercado de trabalho feminino acessando os vídeos:

A evolução da participação feminina no mercado de trabalho- Great Place to Work- 06:52

Resiliência a vivência feminina no mercado de trabalho – Erickson Monteiro – 18:19

Como se reinserir no mercado de trabalho após os 50 anos – Mulheres – 19:20

Para milhões de mulheres maduras sem espaço no mercado de trabalho, a saída é empreender- tv Senado – 26:59 (Bete Marin e Claudia Reis)

Há muita luta pela frente. Mas quem disse que as mulheres desistem?

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