Como a menopausa impacta a saúde mental?

por Cintia Yamamoto Ruggiero
Menopausa e Saúde Mental

A menopausa é um assunto cercado de dúvidas e tabus. Geralmente associada a diversos sintomas desagradáveis que causam impacto na qualidade de vida, seja quanto aos sintomas físicos, quanto psíquicos.

O Dr. Dráuzio Varella nos ajuda a entender as diferentes fases: Menopausa, Climatério e Perimenopausa. Acompanhe:

O que é Menopausa

Segundo o Dr. Drauzio Varella, o termo menopausa “é definido como a ausência de menstruação por 12 meses consecutivos, e geralmente acontece entre 45 e 55 anos.

O que é Climatério

“Climatério é o período de transição menopausal, ou seja, transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva, em que começa a ocorrer um declínio dos níveis hormonais – podem aparecer muito antes, a partir dos 40 anos de idade”, conforme o Dr. Drauzio Varella.

O que é Perimenopausa

A chamada Perimenopausa é a fase de transição que ocorre antes de entrar na menopausa, também chamada fase de transição para a menopausa, apresenta sintomas como menstruação irregular, ondas de calor, alterações no humor ou dificuldade para dormir, por exemplo.

Os sintomas começam na perimenopausa

O psiquiatra Dr. Joel Rennó Jr., que desde 1998 está à frente do Programa Saúde Mental da Mulher (ProMulher) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, nos explica “O momento mais crítico é a perimenopausa, que se inicia por volta dos 45 anos e termina até um ano após a menopausa, aos 51 anos de idade, em média. Essa fase é caracterizada por oscilações dos níveis hormonais — principalmente o estrogênio e a progesterona —, podendo desenvolver sintomas físicos (dores, ondas de calor e insônia), além de sintomas psíquicos como tristeza, ansiedade e irritabilidade, podendo progredir para uma depressão”.

Impactos na saúde mental

Em entrevista para o site do Dr. Drauzio Varella, as psiquiatras Adriana Pereira e Christiane Ribeiro nos contam um pouco mais sobre a menopausa e os impactos na saúde mental.

“Nós, psiquiatras, sabemos que é uma fase muito parecida com a adolescência, de vulnerabilidade para depressão, ansiedade, surto psicótico, na mulher que já teve histórico. Precisamos fazer, muitas vezes, um tratamento em conjunto com endocrinologista ou com ginecologista, porque muitas mulheres vão passar por essa fase, vão fazer terapia de reposição hormonal e vão melhorar”, diz a dra. Adriana.

“Algumas mulheres podem ter impactos na saúde mental, como sintomas psíquicos e maior risco de transtornos mentais, como ansiedade e depressão, especialmente nas pessoas com histórico dessas condições, nos explica Christiane Ribeiro, psiquiatra, mestre em medicina molecular e doutoranda em medicina molecular na área de cognição, gestação e cérebro feminino na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)”.

A psiquiatra Adriana Pereira nos explica que “os hormônios estradiol e progesterona participam da síntese dos neurotransmissores como a serotonina, a dopamina, o gaba e o glutamato. Então, [com a queda hormonal] a gente acaba tendo uma desregulação desses neurotransmissores. Isso também propicia os sintomas de depressão, ansiedade, insônia e dificuldade de concentração. O que temos de verdade é uma célula neuronal que começa a ter falhas no seu funcionamento e impacta as funções cerebrais principais”.

“Assim, quem já enfrentou quadros de transtornos mentais ao longo da vida está mais vulnerável a esse tipo de problema no período do climatério e da menopausa”.

A Dra. Adriana complementa: “As mulheres mais vulneráveis para ter esses sintomas, principalmente a depressão perimenopausal, que é conhecida com essa terminologia, são aquelas que tiveram uma depressão em algum momento da vida, na infância, na adolescência, pode ser uma depressão pós-parto ou em qualquer outro momento”.

Durante esse período podem ainda ocorrer “sintomas cognitivos, como perda de memória, dificuldade de atenção e piora da função executiva (capacidade de planejamento e organização)”.

Para amenizar os sintomas é muito importante, além do acompanhamento médico, a manutenção de hábitos saudáveis e mudanças de estilo de vida”, seguindo:

  • Alimentação equilibrada;
  • Atividade física regular;
  • Sono de qualidade;
  • Gerenciamento do estresse;
  • Relacionamentos saudáveis;
  • Controle do consumo de substâncias (álcool, cigarro e outras drogas).

E o que considerar antes de iniciar qualquer tratamento?

Procure um médico. É essencial consultar um profissional de saúde antes de iniciar um tratamento. Cada mulher tem necessidades únicas, e o que funciona para uma pode não ser ideal para outra. É importante avaliar fatores como histórico médico, intensidade dos sintomas e possíveis contraindicações.

Para saber mais sobre esse tema, assista alguns vídeos que pesquisamos para você:

Impacto da MENOPAUSA na Saúde Mental – Corte do PodPeople- Dr. André Vinicius- Dra. Ana Beatriz- 07:56

Flávia Alessandra sobre reposição hormonal: ‘Já senti uma grande mudança’- Universa – 06:14

O que é menopausa? | Drauzio Varella- 04:43

Menopausa: Mônica Martelli e Eliana discutem as surpresas, tabus e verdades | Mini Saia | GNT- 13:31

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Fontes:

https://drauziovarella.uol.com.br/mulher/menopausa/como-a-menopausa-impacta-a-saude-mental/

https://www.gndiminas.com.br/blog-da-saude/menopausa-saude-mental-em-foco-com-apoio-especializado

https://medicinasa.com.br/estigma-menopausa/

https://vogue.globo.com/beleza/saude/noticia/2021/04/como-menopausa-pode-afetar-nossa-saude-mental.html

Revista Viva Saúde – edição 254

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