Em artigo publicado no Caderno Bem Estar, do Jornal O Estado de São Paulo, o premiado neurocientista brasileiro Mychael Lourenço, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos maiores pesquisadores do mundo na área de neurociência do exercício, nos conta sobre como o exercício pode nos ajudar a proteger o cérebro do Alzheimer.
Evolução da ciência
“O envelhecimento tem um impacto importante na sociedade, tanto do ponto de vista econômico, como do ponto de vista de saúde. Um dos efeitos mais notáveis é a mudança nas doenças mais incidentes na população. Se antigamente as doenças que mais nos afligiam eram de natureza infecciosa, hoje temos de lidar com a alta prevalência das chamadas doenças crônicas não-transmissíveis, dentre as quais destaco as cardiometabólicas e as neurodegenerativas”, declarou o jornalista Guilherme Artioli, na matéria com a entrevista do neurocientista Mychael Lourenço.
As doenças neurodegenerativas e a atividade física
Segundo o neurocientista brasileiro Mychael Lourenço, “doenças neurodegenerativas compõem um conjunto de condições em que há perda progressiva de neurônios e conexões neurais, o que leva a um declínio gradual de funções como memória, linguagem, movimento e autonomia. Por serem doenças típicas do envelhecimento, elas têm se tornado mais frequentes nas últimas décadas. As doenças que causam demência, somadas, afetam hoje mais de 50 milhões de pessoas no mundo, e já estão entre as principais causas de incapacidade em idosos. Somente a doença de Alzheimer responde por cerca de 60% a 70% dos casos.
“Segundo Lourenço, esse quadro se desenvolve como consequência da perda da capacidade que as células do nosso cérebro têm de limpar duas proteínas específicas produzidas naturalmente pelo órgão: a beta-amiloide e a tau. Quando isso ocorre, ambas as proteínas se acumulam e passam a prejudicar o funcionamento dos neurônios e de outros tipos celulares que compõem o cérebro, culminando em perda de capacidade funcional”.
“Tipicamente, a doença começa a se manifestar com o comprometimento da habilidade de formar novas memórias, resultando em episódios de esquecimento. A doença pode evoluir e comprometer outras funções cognitivas, levando à perda de autonomia para realizar atividades do dia a dia e a alterações neuropsiquiátricas, tais como apatia, depressão, irritabilidade aumentada e agitação”.
Raramente não há uma única causa capaz de explicar o surgimento do Alzheimer, afirma Lourenço. Mas, além da diabetes tipo 2, baixa escolaridade e a perda auditiva, o sedentarismo também é um dos fatores importantes o que já indica que a atividade física pode atuar de alguma forma na patogenia da doença.
Lourenço afirma que já temos evidências bem robustas de que treinar regularmente ao longo da vida reduz o risco de desenvolver demências – sobretudo quando o hábito é aliado a uma boa alimentação e cuidados com a saúde mental. Na presença de Alzheimer, a tendência é de que o exercício retarde o desenvolvimento dos sintomas e as perdas funcionais – mas é importante destacar que treinar não é uma cura para a doença.
Segundo Lourenço, o exercício induz a produção de moléculas que beneficiam a comunicação entre neurônios, e também a formação de alguns novos neurônios.
Essa neurogênese parece ser importante para promover novos aprendizados e retenção de memória. Além disso, o exercício serve como treino de atenção e foco. Alguns estudos também mostraram redução do acúmulo das proteínas tau e beta-amiloide no cérebro em pacientes com Alzheimer, o que ajuda a explicar porque treinar pode ser benéfico na desaceleração da progressão da doença.
A importância do movimento
Em outro estudo publicado pela Faculdade de Medicina Santa Marcelina, destaca o estudo recente com idosos nos Estados Unidos, que demonstrou que “pessoas que se movimentam mais ao longo do dia apresentam menor declínio cognitivo. E não estamos falando apenas de academia ou esportes: tarefas simples como caminhar, cuidar do jardim ou dançar já são suficientes para manter o corpo ativo e o cérebro em alerta”.
“Quanto mais tempo passamos em movimento e menos tempo ficamos sentados, melhor para a nossa cognição. Participantes que apresentavam maior quantidade de atividade física e menor tempo sedentário tiveram menores perdas em memória, atenção e raciocínio ao longo dos anos, afirma o estudo”.
Como o exercício protege o cérebro do Alzheimer?
Mas, afinal, como o exercício protege o cérebro do Alzheimer? “Movimentar-se exige planejamento, tomada de decisões e coordenação motora. Tudo isso ativa redes neurais que também são usadas para outras funções cognitivas. Além disso, a atividade física reduz inflamação, melhora a circulação cerebral e estimula a liberação de substâncias que favorecem a neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de se adaptar e se regenerar.
Outro aspecto importante do estudo, reforça que manter uma rotina com períodos contínuos de atividade, sem interrupções, parece ser mais benéfico para o cérebro do que se movimentar de forma esporádica ou fragmentada.
Veja algumas dicas que você pode começar a fazer hoje mesmo para evitar o Alzheimer:
- Caminhe mais: evite o carro para pequenas distâncias.
- Reduza o tempo sentado: levante-se, alongue-se e caminhe um pouco a cada hora.
- Alimente-se bem: frutas, vegetais e alimentos naturais são aliados do cérebro.
- Cuide do sono: dormir bem é essencial para fixar memórias e eliminar resíduos metabólicos.
- Cultive relações sociais: Conversar, rir, interagir com outras pessoas estimula seu cérebro.
Que tipo de exercício praticar?
Não existe uma fórmula mágica, mas a combinação é o segredo:
- Aeróbicos (Caminhada, natação, dança): Ótimos para a oxigenação cerebral e resistência.
- Musculação: Fortalecer os músculos protege os ossos e libera miocinas, proteínas que nos protegem contra doenças metabólicas, cardiovasculares, neurológicas e ósseas, dentre outras.
- Desafios Motores: Atividades que exigem coordenação (como o tênis ou a dança de salão) forçam o cérebro a pensar enquanto o corpo se move, potencializando o ganho cognitivo.
A ciência é clara: o Alzheimer pode ser adiado e até evitado com escolhas cotidianas. E entre essas escolhas, manter-se ativo é uma das mais importantes. Cuidar da mente começa com o corpo em movimento.
Praticar exercícios regularmente é um ritual de autocuidado. Cada passo dado, cada peso levantado e cada gota de suor é uma mensagem de preservação que você envia para a sua memória. O futuro da sua autonomia começa nas escolhas que você faz hoje, no tapete da sala, na academia, ou na caminhada pelo bairro.
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Fontes
https://drflavioporto.com.br/por-que-o-exercicio-fisico-e-um-remedio/
Vídeos
Alzheimer: atividade física mantém saúde do cérebro e ajudar a prevenir a doença- TV Cultura – 03:04
Musculação age contra demência cérebro de idosos | CNN PRIME TIME- 02:04
Exercício físico ajuda a prevenir a demência. – Dr. Drauzio Varella – 01:45
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