Geração Sanduíche: cuidar de nós, dos filhos e dos pais idosos

Geração Sandwich e cuidados com idosos

O aumento da longevidade traz muitas alegrais, mas também alguns desafios e necessidades de adaptação e aprendizados.

Um dos desafios são as questões com os filhos que hoje normalmente saem da casa dos pais mais tarde e as necessidades de cuidados com os pais e familiares idosos.

Pensando nisso, a Fundadora da Estilo 5.0+ Cintia Yamamoto, teve um bate papo com a Dra. Claudia Fló, Doutora em Fisiopatologia Experimental e Envelhecimento Humano pela USP.

Coordenadora da Área técnica de Saúde do Idoso na Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Dra. Claudia foi Professora de Mestrado em Fisioterapia na UNICID, Presidente da Comissão de Título de Especialista em Gerontologia, Presidente de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Presidente do Conselho Estadual do Idoso de São Paulo e Fundadora da Sequoia Sênior Care.

Claudia vai compartilhar com a gente seu conhecimento, experiência e aprendizados sobre o que tem evoluído com relação às alternativas privadas e públicas quando o cuidado dos idosos é necessário e a família não consegue, ou não quer assumir.

Vamos aprender com a Dra. Claudia Fló

Geração sanduíche. O que é?

É a geração espremida entre gerações. É formada por pessoas, geralmente mulheres, que cuidam dos filhos e dos pais idosos.

O termo “geração sanduíche” foi criado pela assistente social Dorothy A. Miller em 1981 para descrever filhos adultos de idosos que estão “imprensados” entre cuidar de seus próprios filhos e seus pais idosos.

Dra Claudia diz que o aumento da longevidade trouxe esse novo cenário; criou a geração sanduíche. Viver até os 100 anos não é mais tão excepcional como no passado. Dra. Claudia menciona que o aumento da longevidade pode ser visto em alguns exemplo como no Hospital das Clínicas que conta com um ambulatório específico para atender os centenários, o que demonstra o aumento desta faixa etária.

E as pessoas estão vivendo mais e com melhor qualidade de vida,  com os medicamentos, cuidados e informação em saúde. Por outro lado, este cenário ainda é restrito para uma classe social mais privilegiada.

A importância do convívio social dos idosos

Se manter integrado à sociedade faz toda a diferença na vida dos idosos. Ficar várias horas sozinho em frente à TV, sem ter com quem conversar é muito triste e estressante.

Muitas vezes os idosos não têm com quem conversar; os filhos saem para trabalhar e os pais ficam sozinhos por um longo período. É muito Importante ter uma rede de apoio, de relacionamentos, que proporcione uma vida mais rica socialmente, com amigos e familiares. O convívio social estimula a parte cognitiva do idoso.

Além disso, conversar com pessoas de idade semelhante é muito gostoso, vivenciaram situações semelhantes ao longo da vida. Há reciprocidade, reforça Dra. Claudia

Opções de moradia para idosos

Há várias opções de moradia a serem consideradas para o idoso viver.

Viver na sua própria casa, na casa de familiares ou em moradia assistida.

1. ILPI- Instituto de Longa Permanência

No passado se falava em asilos; nome horrível que lembrava um depósito de velhos. Hoje isso evoluiu para ILPIs- Instituo de Longa Permanência, Casas de repouso ou Residenciais. São soluções mais interessantes, em formato vertical (prédios) ou horizontais. Nesses locais, o idoso pode viver, ter seu espaço, alimentação, lazer, fazer amigos e sair com seus familiares.

Há várias opções de ILPIs privados no Brasil. Há também os públicos. Uma inciativa recente do Governo do Estado de São Paulo, é o Vida Longa, na região de Tietê (https://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/governo-inicia-obras-de-empreendimento-do-programa-vida-longa-em-tiete/).

O Programa Vida Longa traz um conceito que busca agregar expressivo valor a todo o processo de socialização dos moradores. Por isso, os residenciais foram projetados para ter espaços comuns de convivência e lazer, com salão com refeitório e área para assistir televisão, área externa com churrasqueira e forno à lenha, aparelhos para atividade física, bancos de jardim, horta elevada e paisagismo.

Se a opção for institucionalizar, ir para uma instituição, o ideal é que o idoso concorde e participe da escolha. Um dos riscos comuns de institucionalizar o idoso é o espaçamento das visitas pela família, o distanciamento familiar.

Há alguns portais digitais que ajudam nessa tarefa onde você define o valor disponível e a região de sua preferência. O Portal apresenta as sugestões mais adequadas ao perfil do idoso. O próximo passo é visitar, conhecer o local e ver se está de acordo com sua expectativa. https://trevoo.com.br/  ou https://www.portalcasasderepouso.com.br/

2. ”Aging in Place” – Adequações para permanecer na própria casa

Em geral, as pessoas preferem ficar na sua própria casa. Mas é importante fazer algumas modificações que facilitem a mobilização e a convivência.

A primeira coisa é a gente se reconhecer mais velho. E ir fazendo as adaptações progressivamente, como colocar barra no banheiro, um banquinho preso na parede, poucos tapetes na casa e, mesmo assim, de tamanho grande, na sala e fixo debaixo dos sofás. Colocar as coisas do dia a dia, de maior uso, ao alcance das mãos. E nunca subir em banquinhos.

Se for possível, morar perto de algum parente ou amigo para eventuais emergências. Prefira morar num apartamento, ou casa térrea. Evite as escadas.

3. Cuidadores de Idosos

Contratar um cuidador é uma opção de ajuda externa para apoiar o idoso nas tarefas diárias. Porém é um processo difícil na escolha e na integração do cuidador com o idoso e seus familiares.

Dra. Claudia sugere procurar este profissional através de uma empresa de cuidadores recomendada por um amigo ou o geriatra. É um profissional superimportante com uma responsabilidade imensa sobre o nosso familiar.

De qualquer maneira, é muito importante que o idoso concorde em ter um cuidador. Mas, muitas vezes, o idoso nega que necessite deste apoio, apesar da família entender o contrário.

Infelizmente, as vezes o convencimento da necessidade acontece depois de um acidente real como algum caso de queda ou dificuldade de locomoção efetiva que o próprio idoso reconheça.

Sugerir um teste durante algum tempo pode ser um bom processo de convencimento, trazendo cenários reais como o fato de acordar muitas vezes para ir ao banheiro, toma medicamentos e pode estar sonolento com risco de queda.

O ideal é combinar e entrevistar o cuidador junto com o idoso se tiver a parte cognitiva preservada. Afinal, colocar uma pessoa estranha dentro da casa e do quarto sempre é uma invasão de privacidade.

Procurar entender os motivos da escolha da profissão pela pessoa e referências de empregadores anteriores sobre o Cuidador é fundamental.

4. Alternativas de instituições públicas para idosos

Quando as pessoas não tem recursos, a melhor alternativa é procurar pelo CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social ou o CRAS – Centro de Referência em Assistência Social,  dedicados somente para famílias com recursos limitados, diferentemente da saúde que atende qualquer pessoa, independentemente de ter ou não um Plano de Saúde ou estar empregada ou não.

Em caso de necessidade, a pessoa deve iniciar o processo pelo CRAS para receber toda a informação e orientação sobre vagas em Instituições disponíveis.

Acesse: https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acesso-a-informacao/carta-de-servicos/desenvolvimento-social/assistencia-social/cras-centro-de-referencia-em-assistencia-social-1

Existem ainda alternativas de Instituições Filantrópicas como por exemplo o Lar São Vicente de Paulo http://www.larsaovicentevga.org.br/instituicao/

5. Centros de convivência e Centro Dia ou Day Care

Centros de convivência são locais onde o idoso independente desenvolve atividades de lazer, culturais, pratica atividades físicas, faz artesanato, se socializa e desenvolve relacionamentos colaborando para a sua qualidade de vida.

O Centro Dia é destinado a permanência dos idosos semi-dependentes,  dependentes, ou ainda independentes que não podem ficar sozinhos em casa, no período diurno. O idoso permanece no Centro Dia por um período integral ou meio período, sendo acompanhado.

Na opinião da Dra Claudia, o Centro Dia é uma ótima alternativa para facilitar a vida dos familiares que trabalham ou que estão impossibilitados de prestar assistência ao idoso neste período. E para os idosos que são assistidos durante o dia e retornam para suas casas, mantendo o vínculo com a família.

Como já mencionamos anteriormente, na opinião da Dra Claudia, o risco de institucionalizar o familiar idoso é a família começar a espaçar as visitas, criar o distanciamento com impactos negativos para o idoso.

6. Morar com a família

Dra. Claudia reforça que é muito importante, antes de mais nada, perguntar se o idoso quer morar com familiares.

Vamos desmistificar o comportamento do idoso. Não generalize. Nem todos são teimosos, ranzinzas ou chatos, assim como os adolescentes e as pessoas no geral. A idade só reforça as características da pessoa. O idoso pode ser uma ótima companhia para os netos. Convivência com outras gerações, a Intergeracionalidade, traz revitalização da vida.

O idoso precisa ter seu canto, como todos nós. E, se possível ter com ele alguns objetos que se reconheça, como móveis, por exemplo.

Evitar o rodízio na família. O idoso que muda de casa todas as semanas, por exemplo, 1 semana com cada filho, acaba ficando confuso e não se identifica com ninguém. É a pior solução, e se tiver déficit de atenção, piora bastante.  Não se reconhece em nenhum dos ambientes.

Cuidados em caso de hospitalização do idoso: Delirium

Atenção aos quadros de delirium: também denominado estado confusional agudo, é um quadro clínico frequente entre os idosos hospitalizados que se caracteriza por início agudo, curso flutuante, déficit de atenção, pensamento desorganizado e alteração do nível de consciência por não reconhecer o ambiente. (https://www.hcor.com.br/area-medica/wp-content/uploads/2020/11/6-Protocolo-Delirium.pdf)

No caso de hospitalização do idoso é muito importante ter alguém da família junto com ele no hospital, para manter a referência. Ou algum objeto familiar, como um porta-retratos, por exemplo.

Como se preparar para viver uma boa velhice?

Dra. Claudia entende que existe muita variação, desde pessoas que pensam e se preparam e pessoas que simplesmente não pensam, mas é importante se preparar.

A gente envelhece desde que nasceu. O ideal é pensar no que vai acontecer quando ficarmos velhos. Comece tendo uma boa relação com a família, ao longo da vida.

Ter muitas amizades, se relacionar bem com a família e os filhos. Controlar o temperamento e procurar gostar de muitas coisas. Por exemplo, se gostar só de jogar tênis, pode quebrar o pé e ficar sem opções.

Prepare-se para ampliar o leque de opções. Caminhar, nadar, praticar outro esporte. Isso vale também para outros interesses como sair com amigos, ir ao cinema, teatro, viajar, fazer artesanato e desenvolver hobbies. Se você amplia as opções, o ciclo de relacionamento e, consequentemente, uma rede de apoio no futuro.

Ter recursos para tudo isso é muito importante. É importante pensar e planejar quanto dos seus recursos você vai reservar para a velhice.

Os recursos permitem que você tenha independência e liberdade, ainda que tenha que morar com um filho ou familiar, terá como ajudar nas despesas, contratar uma empregada, pagar uma viagem, um presente e se integrar na vida da família.

Nossa geração vai viver bastante, mas a próxima vai viver ainda mais. E precisam rapidamente aprender sobre finanças e garantir uma velhice tranquila e amparada.

Dra Claudia ainda complementa que num Brasil tão heterogêneo, nem todos podem guardar dinheiro. Neste sentido, o Estado tem um papel importante na colaboração e educação com as famílias.

Mensagem final da Dra. Claudia para as mulheres 50+: Procure viver a vida com alegria. Tenha um propósito na vida. Acordar e ter o que fazer. Saia da cama de manhã, seja alegre, tenha bom humor, isto faz toda a diferença. Isso volta para você. Se cuide, da saúde e da aparência. Goste de você!! “

Convidamos você a assistir o bate papo integral da nossa Fundadora com a Dra. Claudia Fló acessando o canal do YouTube da Estilo 5.0+:

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