Muitas mulheres chegam à maturidade carregando um cansaço mental que não sabem explicar, fruto de uma vida inteira tentando se “encaixar” em moldes sociais aos quais nunca pertenceram.
E, muitas vezes, passam a vida inteira desconhecendo que podem precisar de um ajuste que a terapia pode ajudar.
Refém de Si Mesma: O Encontro entre o TOC e o Asperger na Maturidade
Para muitas mulheres que atravessaram décadas lidando com uma sensação persistente de “ser diferente”, chegar à maturidade traz um misto de alívio e novos desafios. Frequentemente, essa jornada é marcada por dois companheiros silenciosos e, por vezes, incompreendidos:
- a Síndrome de Asperger (nível 1 do Espectro Autista)
- e o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).
A Prisão da Mente Rígida
Ser “refém de si mesma” é uma descrição dolorosamente precisa. No cruzamento entre o Asperger e o TOC, a mente busca segurança através do controle.
- No Asperger: A busca por previsibilidade e a dificuldade em processar estímulos sensoriais ou nuances sociais podem levar a mulher a criar rotinas milimetricamente calculadas para evitar o caos.
- No TOC: A ansiedade se manifesta em pensamentos intrusivos e rituais que prometem uma paz que nunca chega totalmente.
Quando esses dois se encontram, a vida pode parecer um campo minado. Você se torna refém da necessidade de perfeição, da ordem absoluta e de rituais mentais que consomem a energia que deveria ser usada para viver, e não apenas para sobreviver.
Entendendo a Síndrome de Asperger (TEA Nível 1)
Segundo artigo publicado no site do Hospital Albert Einstein, “o transtorno do espectro do autismo (TEA) engloba oito desordens do desenvolvimento neurológico que estão presentes desde o nascimento ou o início da infância. Uma delas é a síndrome de Asperger, que é considerada a forma mais leve do TEA”. O nível 1.
“A pessoa com Asperger se diferencia do autista clássico por não apresentar atrasos na fala. As características distintivas do comportamento Asperger incluem uma forte preferência por rotinas rígidas, comportamentos repetitivos de forma mais suave e um interesse obsessivo em determinados assuntos.
Embora uma pessoa com Asperger possa se preparar para levar uma vida independente e rica, o diagnóstico desempenha um papel fundamental, auxiliando tanto a pessoa quanto seus familiares”.
A Síndrome de Asperger é um transtorno do neurodesenvolvimento no espectro do autismo, caracterizado por dificuldades na interação social e comunicação, além de padrões repetitivos de comportamento e interesses restritos.
Segundo a Clínica Cleveland – USA, “a síndrome de Asperger não é mais um diagnóstico médico. A maioria das pessoas com um diagnóstico prévio de Asperger apresenta o que os profissionais de saúde hoje chamam de “autismo de nível 1”. Isso significa que elas precisam de um nível baixo de apoio em suas vidas diárias. Mas cada pessoa é diferente, e algumas pessoas diagnosticadas com Asperger podem precisar de mais apoio do que outras”.
“Trata-se de uma diferença cerebral e não uma doença. Portanto, os profissionais de saúde não “curam”, o paciente, mas ao invés disso, oferecem apoio e indicar terapias para lidar com os desafios que a pessoa com Asperger possa enfrentar no seu dia a dia”.
Entendendo o TOC
O TOC é um transtorno de ansiedade caracterizado por:
- Obsessões: Pensamentos, imagens ou impulsos indesejados e repetitivos que causam grande sofrimento e ansiedade.
- Compulsões: Comportamentos ou atos mentais repetitivos realizados em resposta às obsessões, com o objetivo de neutralizar a ansiedade ou prevenir um evento temido, mas que não trazem prazer a longo prazo (apenas alívio momentâneo).
- A pessoa com TOC geralmente reconhece que seus pensamentos e comportamentos são excessivos ou irracionais, o que contribui para o sentimento de ser “refém da própria mente”.
A Ligação entre TOC e Asperger
Existe uma relação complexa entre as duas condições, que pode se manifestar de três formas principais:
- Sintomas Sobrepostos e Confusão Diagnóstica: Os comportamentos repetitivos do TEA podem ser confundidos com as compulsões do TOC.
A distinção principal reside na motivação: prazer/conforto no TEA versus alívio da ansiedade no TOC.
- Comorbidade: É comum que indivíduos com TEA também desenvolvam TOC. “Estudos sugerem que pessoas com autismo têm um risco maior de serem diagnosticadas com TOC do que a população geral. Nesses casos, os sintomas obsessivo-compulsivos podem causar sofrimento significativo, sobrepondo-se aos traços do autismo”.
- Semelhanças Neurobiológicas/Genéticas: Estudos indicam que o TOC e o autismo compartilham semelhanças genéticas e neurobiológicas, o que pode explicar a frequência com que ocorrem juntos.
O Peso do “Mascaramento” Social
Mulheres são historicamente mestras em “disfarces ou o mascaramento social. Passamos a vida observando as outras pessoas para imitar comportamentos aceitáveis, escondendo nossas obsessões e nosso desconforto sensorial sob uma camada de funcionalidade.
Na maturidade, essa máscara começa a pesar demais. O esgotamento não é apenas cansaço; é o grito de uma identidade que foi sufocada por regras que a própria mente impôs para se sentir protegida.
Tratamento e Suporte
Quando o TOC é uma comorbidade e os sintomas são graves e incapacitantes, o tratamento específico (muitas vezes com terapia cognitivo-comportamental e medicamentos como antidepressivos) pode trazer melhora acentuada na qualidade de vida.
No caso do Asperger, “dependendo dos sintomas que são apresentados, o paciente pode receber o apoio de psicólogos e de outros especialistas para aprender estratégias e técnicas que o ajudam a melhorar sua qualidade de vida. Um paciente que recebe esse diagnóstico vive uma vida normal e pode precisar apenas de algumas adaptações em seu cotidiano”.
O Caminho para a Liberdade
- A maturidade oferece uma oportunidade única: a de trocar o controle pela compreensão. Ser refém de si mesma acontece quando não entendemos o funcionamento das nossas próprias engrenagens.
- O Diagnóstico como mapa, não como Sentença: Entender que seu cérebro processa o mundo de forma diferente (neuro divergência) tira o peso da “culpa” ou da “falha de caráter”. Você não é difícil; seu sistema operacional é diferente.
- Autocompaixão Radical: É hora de perdoar a mulher que você foi, que precisou de rituais e isolamento para se sentir segura.
- Flexibilidade Possível: O tratamento para o TOC e o suporte para o autismo na vida adulta não visam “consertar” quem você é, mas sim expandir os seus horizontes, permitindo que você escolha suas ações em vez de ser impulsionada pelo medo.
“A liberdade não vem da ausência de sintomas, mas da coragem de não ser mais definida por eles.”
Um Novo Olhar
Se você tem ou conhece alguém que tenha alguma dessas condições, o autoconhecimento, através da linha terapêutica mais adequada, permitirá encontrar um espaço seguro, onde as particularidades são respeitadas e as necessidades atendidas com gentileza.
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Estilo 5.0+
Fontes:
https://www.einstein.br/n/vida-saudavel/o-que-e-a-sindrome-de-asperger
https://my.clevelandclinic.org/health/articles/asperger-syndrome
https://www.instagram.com/reels/DDUgcR3Ox1E/
https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/sindrome-de-asperger
Vídeos:
Síndrome de Asperger ou Autismo Nível 1
Comportamentos característicos da síndrome de Asperger – Dr. Thiago Castro- PodPeople Ana Beatriz Barbosa – 10:15