Diabetes em mulheres maduras. Vamos saber mais

Diabetes em mulheres maduras

O que é Diabetes?

“O diabetes é uma condição crônica caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose no sangue. Esse aumento pode acontecer devido a defeitos na secreção ou na ação da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas, cuja principal função é favorecer a entrada da glicose nas células para gerar energia”, explica o vice-presidente da ADJ Diabetes Brasil, Dr. Ronaldo Pineda Wieselberg, uma entidade não-governamental que faz Advocacy sobre o tema”.

À medida em que envelhecemos, a atenção à saúde torna-se ainda mais criteriosa. Entre as diversas condições que podem surgir, o diabetes merece um olhar atento. O diabetes em mulheres maduras apresenta algumas particularidades e requer uma compreensão aprofundada para um manejo eficaz e a prevenção de complicações.

Dados

A prevalência de diabetes no Brasil é uma das mais elevadas do mundo e a maior da América Latina. O país ocupa a 6ª posição global em número total de casos, de acordo com o Atlas do Diabetes 2021, assinado pela Federação Internacional do Diabetes (IDF, na sigla em inglês): Veja a posição nos diferentes países:

Nas capitais brasileiras, são 3.522.006 pessoas diagnosticadas com Diabetes Mellitus (DM), de acordo com dados do Vigitel de 2023, consultados no Observatório da Saúde Pública. É o equivalente a 10,1% da população adulta destes municípios. Pela primeira vez na série histórica, o índice alcançou os 10%; na penúltima medição, em 2021, equivalia a 9,2%, e, na mais antiga, em 2006, a 5,5% da população.

A incidência é maior em idosos – o percentual sobe para 30,4% na faixa etária acima de 65 anos, também considerando dados das capitais do Brasil. Desse modo, a estimativa é que os casos aumentem como consequência do envelhecimento populacional.

A pesquisa Vigitel mostra também que o diagnóstico é mais frequente entre as mulheres (11,1%), do que entre os homens (9,1%).

“Mais da metade das famílias brasileiras têm mulheres como a principal provedora financeira. Cada vez mais, as mulheres não têm tempo para ter uma dieta adequada, comem qualquer coisa, não têm tempo para fazer uma atividade física, o que faz com que o diabetes acometa cada vez mais este público.” O especialista ainda lembra que a menopausa, com a redução de produção do hormônio estrogênio, pode representar uma chance aumentada de desenvolvimento da doença nas mulheres.

Diabetes e Menopausa

Segundo a Dra. Andressa Heimbecher Soares endocrinologista e Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, da Sociedade Brasileira de Diabetes, “a preocupação na fase da menopausa deve começar com o peso. É sabido que há uma tendência natural de redução do metabolismo da mulher após o período da menopausa, pela diminuição dos hormônios femininos, o que a faz queimar menos calorias. O risco aqui é o consequente ganho de peso e com mais peso, há maior chance de ocorrer a resistência insulínica, quando ficará mais difícil controlar o diabetes”.

“Sabemos que os hormônios femininos estrógeno e progesterona ajudam a manter o diabetes mais estável, por auxiliarem no controle da insulina. No entanto, com a menopausa e a parada na produção destes hormônios, é possível que os níveis de açúcar no sangue se tornem mais instáveis, e o ajuste de dose dos medicamentos seja necessário”.

“Para que esta fase seja a mais tranquila possível, o caminho é o controle. Medir a glicemia de forma mais frequente e realizar exames laboratoriais de rotina com acompanhamento médico mais assíduo, para que ajustes importantes possam ser feitos sob medida. Além disso, realizar uma dieta controlada, atividade física, acompanhamento ginecológico e considerar tratamento correto da menopausa, são passos importantes a serem seguidos nesta etapa, recomenda a Dra. Andressa”.

Diagnóstico

O presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Levimar Araújo, também portador de diabetes tipo 1, destaca que o primeiro passo para cuidar bem do diabetes é o diagnóstico precoce. “A gente precisa alertar a população que pessoas que têm uma cintura abdominal aumentada, pessoas com parentes com diabetes, aquelas gestantes, que já tiveram crianças com mais de quatro quilos, todas elas são pessoas que precisam ser mais valorizadas em relação à questão do exame.”

“Mesmo o diagnóstico de pré-diabetes é extremamente importante, porque a pessoa já pode desenvolver complicações referentes ao diabetes”, alerta o presidente da SBD.

Pré-Diabetes

Um estágio de alerta crítico onde os níveis de glicose estão acima do normal, mas ainda não altos o suficiente para o diagnóstico de diabetes.

A oportunidade: Com intervenções na alimentação e atividade física, é perfeitamente possível reverter o quadro e impedir a progressão para o diabetes tipo 2.

Tipo de diabetes e Fatores de risco

Há dois tipos de diabetes: O tipo 1 e o tipo 2.

O tipo 1 ocorre quando o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina, hormônio cuja função é metabolizar os carboidratos no sangue, o que faz com que a glicose não seja absorvida.

O tipo 2 é o tipo mais comum e ocorre quando o organismo não consegue usar de forma correta a insulina que produz. Este segundo tipo é mais influenciado por fatores como obesidade e má alimentação.

De acordo com a Febrasgo, referência científica e profissional no âmbito da saúde da mulher, “os fatores de risco para diabetes incluem obesidade, sedentarismo, maus hábitos alimentares e, frequentemente, a associação com outras comorbidades, como a hipertensão arterial. Além disso, é conhecido que as mulheres fumantes têm maior incidência de diabetes mellitus tipo 2”.

Diabetes Tipo 2 e Mulheres Maduras

O tipo mais comum de diabetes em mulheres maduras é o diabetes tipo 2. Nesta condição, o corpo pode produzir insulina, mas as células se tornam resistentes à sua ação (resistência à insulina), ou o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente para manter os níveis de glicose normais.

Sintomas do Diabetes tipo 2

Segundo artigo publicado no site da Dasa, uma característica marcante do diabetes tipo 2 é que ele pode ser uma doença silenciosa nos primeiros anos. Muitas vezes, uma pessoa pode conviver com a condição por quatro ou cinco anos sem apresentar qualquer sintoma perceptível.

Por isso, o diagnóstico frequentemente ocorre por meio de um exame de sangue de rotina ou quando as primeiras complicações, resultantes do nível elevado de glicose no sangue por um longo período, começam a se manifestar.

Essas complicações podem acometer diversos órgãos e incluem:

  • Problemas nos olhos (retinopatia diabética), que podem afetar a visão.
  • Complicações nos rins (nefropatia diabética), com risco de evoluir para insuficiência renal.
  • Problemas nas pernas e pés, decorrentes de danos nos nervos e na circulação.

Aumento do risco de doenças cardiovasculares, como infarto e derrame.

Tratamento

Confira as dicas dos especialistas para o tratamento de diabetes, principalmente baseado em uma alimentação saudável e atividades físicas.

Destaques:

  • Estilo de Vida Saudável: Adotar uma dieta equilibrada, rica em frutas, vegetais e grãos integrais, com baixo teor de gordura saturada e açúcar, é fundamental. Maçã, abacate, amora, limão e coco são as frutas mais indicadas. As demais, consuma com moderação.
  • Fortalecimento Muscular e atividade física: O músculo é o maior consumidor de glicose do corpo. A musculação é, literalmente, um remédio para o diabetes na maturidade.
  • Exercícios como caminhada, corrida, bicicleta e natação estão entre as alternativas. A recomendação das sociedades médicas é de 150 minutos de exercícios aeróbios divididos em pelo menos três dias na semana para pessoas com diabetes.
  • Controle do Peso: Manter um peso saudável ou perder peso, se necessário, pode reduzir significativamente o risco de desenvolver diabetes tipo 2.
  • Monitoramento da Glicemia: Realizar exames de sangue regulares para monitorar os níveis de glicose é essencial para o diagnóstico precoce e o controle eficaz do diabetes.
  • Medicação: Em muitos casos, medicamentos orais ou insulina podem ser necessários para ajudar a controlar os níveis de glicose no sangue. É fundamental seguir as orientações médicas quanto ao uso da medicação.
  • Atenção à Saúde Mental: Buscar apoio emocional e cuidar da saúde mental é fundamental. O estresse eleva o cortisol, que por sua vez eleva a glicose. Práticas de relaxamento são ferramentas de controle metabólico.
  • Acompanhamento Médico Regular: Consultas regulares com o médico endocrinologista e outros especialistas (como cardiologista, oftalmologista e nefrologista) são importantes para monitorar a saúde geral e prevenir ou detectar precocemente possíveis complicações.
  • Atenção ao Coração: Além da ponta do dedo, cuide do coração. Check-ups cardiológicos anuais são indispensáveis.

Vamos cuidar bem da nossa saúde para garantir um envelhecimento tranquilo e saudável!

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Um abraço!

Estilo 5.0+

Fontes:

https://adj.org.br/quem-somos/nossa-historia/

https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/1688-casos-de-diabetes-em-mulheres-cresceram-54-nos-ultimos-15-anos

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2023-11/mais-de-10-dos-brasileiros-vivem-com-diabetes

https://diabetes.org.br/diabetes-e-menopausa-4/

https://www.msdmanuals.com/

Vídeos:

Dr. Drauzio Varella explica quais os fatores de riscos para o Diabetes. – 02:02

Qual a relação entre Menopausa e Diabetes? | Dra Joele Leripio- 02:11

 

O que é Pré-Diabetes? Devo me preocupar com isso? – Amato – 05:37

 

Cintia Yamamoto Ruggiero

Sou apaixonada pelo tema Longevidade, curiosa e inquieta! Quero participar ativamente da revolução da longevidade e colocar o aprendizado profissional de mais de 30 anos e a experiência nas áreas de Negócios e Marketing para trazer conteúdos, produtos e serviços para as Mulheres 50+, conectadas, curiosas e interessadas!