Dormir bem é essencial para a nossa saúde física, mental e emocional. É durante o sono profundo que o nosso corpo se regenera, a nossa memória é consolidada e a nossa pele se recupera.
Dormir bem deveria ser um gesto simples ao terminar o dia. Um acolhimento natural após um dia intenso.
Mas para muitas pessoas, inclusive Mulheres Maduras, o corpo pede descanso, mas a mente insiste em ficar ativa, em vigília. O cansaço é real, mas o sono não chega.
E quando chega, muitas vezes é interrompido, intermitente, insuficiente. Muitas pessoas deitam exaustas e acordam ainda mais cansadas.
Há até quem coloca a cabeça no travesseiro e dorme imediatamente, mas desperta no meio da noite e acorda pronta para pular da cama, às 03:00hs da madrugada.
O que está acontecendo?
Mariane Yui, médica otorrinolaringologista e especialista em medicina do sono, em entrevista para a Revista Vida Simples propõe: “antes de olhar para a noite, é preciso observar como estamos vivendo o dia”. “O sono em si não mudou biologicamente, mas nossos hábitos mudaram muito. Antes da eletricidade, as pessoas dormiam mais cedo, logo após o anoitecer, e acordavam com o nascer do sol. Hoje, vivemos expostos à luz artificial e ao uso de telas até tarde, o que atrasa a liberação da melatonina, hormônio que sinaliza ao corpo que é hora de dormir”.
O estilo de vida atual exige que acordemos cada vez mais cedo para dar conta de compromissos como trabalho, rotina da casa, cuidados com o outro, academia, ou até mesmo ler as mensagens no WhatsApp que ela perdeu enquanto dormia.”
O resultado, segundo a especialista, “é que estamos dormindo mais tarde e acordando mais cedo; dormimos menos do que o necessário. Privação do sono que pode ter efeitos nocivos sobre a nossa saúde”.
Ritmo acelerado e descompensado
A especialista Mariane Yui, alerta que estamos vivendo um “desalinhamento contínuo entre o ritmo do corpo e o ritmo da vida que levamos. Quando dormir passa a ser comprimido entre tarefas, estímulos e obrigações, ele deixa de cumprir sua função mais básica: reparar”.
A psiquiatra e psicoterapeuta Roberta Candal, na mesma matéria para a Revista Vida Simples, comenta que o sono “é um indicador sensível do funcionamento mental, um indicador tão relevante quanto outros parâmetros básicos do funcionamento do corpo. Assim como a pressão arterial, a oxigenação do sangue ou a frequência respiratória ajudam a avaliar a saúde física, a qualidade do sono oferece pistas importantes sobre o estado mental e emocional de uma pessoa”.
A psicoterapeuta observa que “a exaustão crônica compromete justamente aquilo que poderia ajudar na recuperação: o cuidado de si”. “No caso do cansaço crônico, o nível de energia disponível para viabilizar as tarefas de autocuidado fica comprometido. As pessoas recorrem a fontes de satisfação fáceis e de rápida obtenção, como alimentos industrializados, redes sociais, estimulantes como café e energéticos. Não realizam atividades físicas por se sentirem permanentemente indispostas”.
Esse comportamento vai na contramão da cura do cansaço, “uma vez que no estado ansioso, nossos processos mentais ficam acelerados e se multiplicam, ao mesmo tempo que focamos em pensamentos relacionados a preocupações e pendências. O resultado é um estado de alerta constante, como se algo de ruim viesse a acontecer em qualquer momento.”
Ter um boa noite de sono, desfrutar do merecido descanso, é um gesto de respeito por nós mesmas.
Liga/Desliga
Nesse contexto há um novo indicador invisível: a dificuldade de desligar. Para o psicólogo clínico Artur Scarpato, que há três décadas acompanha pessoas em sofrimento psíquico, “o sono se tornou uma das primeiras vítimas de uma cultura que não admite pausas. Vivemos imersos em um fluxo contínuo de informações, estímulos e demandas que mantêm a mente em estado permanente de vigília; sempre alerta. Mesmo quando o dia termina, algo em nós continua ligado, atento às notícias, às redes sociais, às comparações, às pendências que não cessam. À noite, que antes marcava o fim do ritmo externo, hoje costuma prolongar o excesso”.
“Quando estamos tomados por preocupações com o futuro, presos a experiências do passado ou atravessados por estados prolongados de ansiedade, o descanso profundo se torna difícil de acessar”.
Voltar a dormir
Para Mariane Yui, há fatores centrais para uma transformação efetiva. “A primeira mudança é ter um horário regular para dormir e acordar, mesmo nos fins de semana. A segunda é se expor à luz do sol, principalmente no período da manhã. Essas duas medidas ajudam a regular o relógio biológico.” A terceira, segundo ela, envolve desacelerar de forma concreta: “Reduzir o uso de telas e luz forte pelo menos uma hora antes de dormir e criar um ritual de desaceleração antes do sono, como leitura leve ou meditação”.
Dicas Práticas para Criar uma Rotina Noturna de Sucesso
Mudar alguns hábitos diários pode transformar completamente a qualidade do seu descanso. Veja como começar:
- Mantenha horários fixos: Tente dormir e acordar sempre no mesmo horário, inclusive aos finais de semana. O corpo adora rotina e isso ajuda a regular o nosso relógio biológico.
- Desconecte-se das telas: A luz azul emitida por celulares, tablets e televisores bloqueia a produção de melatonina, o hormônio do sono. Desligue esses aparelhos pelo menos uma hora antes de deitar.
- Crie um santuário no quarto: O ambiente ideal para o sono deve ser escuro, silencioso e com uma temperatura agradável (nem muito quente, nem muito fria). Invista em cortinas blecaute e roupas de cama confortáveis.
- Atenção ao cardápio noturno: Evite refeições pesadas, cafeína (café, chás pretos/mates, refrigerantes) e bebidas alcoólicas nas horas que antecedem o sono. O álcool pode até dar sono inicialmente, mas ele fragmenta o descanso ao longo da noite.
- Aposte em rituais relaxantes: Substitua o feed das redes sociais por uma leitura leve, uma música suave, um banho morno ou uma xícara de chá de camomila.
- Exercite-se durante o dia: seja através de uma caminhada ao ar livre, alongamentos, ioga ou a sua prática favorita, ajuda a gastar energia física e a aliviar a ansiedade. Apenas evite treinos muito intensos no final da noite pois a adrenalina liberada por espantar o sono.
Importante: dormir melhor não se resume a cumprir protocolos ou acumular dicas. Ajustar horários, reduzir excessos, buscar ajuda quando necessário e reconstruir espaços de pausa ao longo do dia são gestos simples e, justamente por isso, transformadores.
Quando a vida desacelera um pouco, quando há mais cuidado com os limites e menos exigência permanente, a noite encontra caminho para fazer o que sempre soube: acolher, reorganizar e cuidar.
Faça as Pazes com a sua Noite
Conversar com o seu corpo e entender as suas novas necessidades faz parte desta fase madura e bonita da vida. Se mesmo com as mudanças de hábito o sono não vier, e a insônia persistir, não hesite em buscar a orientação de um especialista para avaliar questões específicas da menopausa ou outras condições de saúde.
Cuidar do seu sono é um ato de amor-próprio. Afinal, acordar revigorada e pronta para viver o dia com energia é o melhor presente que podemos nos dar.
Lembre-se: o sono tem um papel a cumprir: nos devolver inteiras ao dia seguinte.
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Um abraço!
Estilo 5.0+
Fontes:
https://vidasimples.co/vida-simples/durma-melhor/
https://www.omint.com.br/blog/como-melhorar-o-sono/
https://www.boticario.com.br/dicas-de-beleza/descubra-habitos-que-te-ajudam-a-dormir-melhor/
Vídeos:
Hábitos que podem melhorar o seu sono- Dr. Drauzio Varella- 05:08
Regule o seu sono e durma melhor – Prof. Andrei Mayer- Ana Beatriz Barbosa- 06:55